Redação oficial para concurso é a parte de Língua Portuguesa que cobra como a administração pública escreve: a estrutura do ofício, os pronomes de tratamento, os fechos e os atributos que um documento público precisa ter. A referência principal é o Manual de Redação da Presidência da República, na 3ª edição, de 2018. É um conteúdo pequeno, muito padronizado e cobrado quase sempre de forma literal, o que faz dele um dos melhores investimentos de tempo do edital.
Atualizado em 19/09/2026.
Tem uma armadilha logo na entrada dessa matéria, e ela derruba gente que estudou. Quem aprendeu redação oficial há alguns anos decorou uma lista de pronomes de tratamento que hoje não vale mais para comunicações com agentes públicos federais. A mudança veio por decreto em 2019 e continua pegando candidato desavisado.
Os atributos da redação oficial
Antes da forma, vem o princípio. O manual define um conjunto de características que todo documento oficial deve ter, e as bancas cobram tanto a lista quanto o entendimento de cada item.
- Impessoalidade. Quem comunica é sempre o órgão, não a pessoa que assina. Por isso não há espaço para impressões individuais nem para marcas de estilo pessoal.
- Uso do padrão culto da linguagem. Norma gramatical comum ao conjunto dos falantes, sem rebuscamento e sem gíria.
- Clareza. O texto deve permitir compreensão imediata pelo leitor.
- Concisão. Máximo de informação com o mínimo de palavras, sem cortar o que é necessário ao entendimento.
- Formalidade e padronização. Obediência às regras de forma e de polidez, com uniformidade entre as comunicações de toda a administração.
A pegadinha clássica aqui é opor clareza a concisão, como se uma sacrificasse a outra. Não é assim que o manual trata. Concisão não é escrever pouco, é não escrever o que sobra. Se cortar prejudica o entendimento, o corte estava errado.
Outra confusão frequente: impessoalidade não significa usar voz passiva o tempo todo nem evitar qualquer sujeito. Significa que o emissor é a instituição. Questões que igualam impessoalidade a "uso obrigatório da terceira pessoa" costumam estar erradas.
A mudança que mais reprova: Decreto 9.758/2019
Nas comunicações com agentes públicos federais, o único pronome de tratamento admitido é "senhor", com suas flexões de gênero e número. Quem determina isso é o Decreto 9.758/2019, em vigor desde 1º de maio de 2019.
O decreto veda expressamente uma lista de formas que antes eram padrão:
- Vossa Excelência
- Vossa Senhoria
- Vossa Magnificência
- doutor
- ilustre e ilustríssimo
- digno e digníssimo
- respeitável
E a abrangência é ampla: alcança servidores, militares, empregados públicos, pessoal temporário, terceirizados, ocupantes de cargo em comissão, autoridades de qualquer nível e inclusive o Presidente e o Vice-Presidente da República. Não há tratamento diferenciado por hierarquia. Essa uniformidade é justamente o que as questões testam, porque contraria o hábito.
Há exceções, e elas caem. O decreto não se aplica a comunicações com autoridades estrangeiras ou organismos internacionais, que seguem rito próprio. Também não alcança situações em que a comunicação se dirige a outros Poderes ou a outros entes federativos cujas normas próprias exijam tratamento específico.
O artigo 4º completa o raciocínio: o endereçamento dispensa o pronome de tratamento e até o nome do destinatário, salvo quando for necessário identificar a pessoa específica a quem o documento se dirige.
Como resolver isso na prova sem enlouquecer: pergunte-se se a comunicação é interna à administração federal. Se for, é "senhor". Se envolver autoridade estrangeira ou norma própria de outro Poder, aí a regra do decreto cede.
Os dois fechos, e só dois
O manual reduziu os fechos a duas possibilidades, e a escolha depende da hierarquia do destinatário.
| Fecho | Quando usar |
|---|---|
| Respeitosamente | Para autoridades de hierarquia superior, incluindo o Presidente da República |
| Atenciosamente | Para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior |
Qualquer alternativa que ofereça "Cordialmente", "Saudações" ou "Abraços" como fecho oficial está errada. Comunicações a autoridades estrangeiras fogem dessa fórmula e seguem tradição diplomática própria.
Um detalhe de grafia que aparece em prova de português: a abreviação aceita para "Atenciosamente" é "At.te". A forma "At.te" vem da tradição empresarial de língua inglesa e não é adequada a documento oficial.
O padrão ofício
A 3ª edição do manual unificou três expedientes que antes eram tratados separadamente, o ofício, o aviso e o memorando, em um único modelo chamado padrão ofício. Essa unificação é, sozinha, uma das informações mais cobradas sobre a edição vigente, porque material antigo ainda ensina os três tipos como distintos.
As partes do documento seguem ordem fixa:
- Cabeçalhocom a identificação do órgão.
- Identificação do expedientecom o tipo, o número e a sigla do órgão.
- Local e dataalinhados à direita.
- Endereçamentocom o destinatário.
- Assuntoum resumo curto do teor.
- Textocom introdução, desenvolvimento e conclusão.
- Fechona forma vista acima.
- Identificação do signatáriocom nome e cargo.
- Numeração de páginasquando houver mais de uma.
Sobre o corpo do texto, duas regras rendem questão. Os parágrafos são numerados, exceto quando há apenas um e nas partes estruturais do documento. E quando o expediente for resposta a outro, a introdução deve fazer referência ao documento anterior, com seus dados de identificação, em vez de abrir com fórmulas vazias de cortesia.
O manual também fixa padrões de diagramação, como tipo e corpo de fonte, espaçamento e margens. Esses detalhes variam conforme a edição adotada pelo edital, então confira no conteúdo programático qual referência está sendo cobrada antes de decorar números.
Outros expedientes que aparecem na prova
O padrão ofício concentra a maior parte das questões, mas o manual trata de outras comunicações, e elas rendem pergunta quando a prova é de nível superior.
| Expediente | Para que serve |
|---|---|
| Exposição de motivos | Documento dirigido ao Presidente da República ou ao Vice, por um ministro, para propor medida, submeter projeto ou informar sobre determinado assunto |
| Mensagem | Comunicação entre os chefes dos Poderes, usada principalmente na relação entre Executivo e Legislativo |
| Correio eletrônico | Meio de comunicação oficial quando atende a requisitos de forma e de comprovação de autoria e integridade |
Sobre o correio eletrônico vale um alerta, porque é um dos pontos em que candidato subestima a matéria: o manual reconhece o e-mail como comunicação oficial legítima, mas condiciona isso a requisitos de forma. Questão que afirme categoricamente que e-mail não serve como documento oficial tende a estar errada.
O que o manual manda evitar no texto
Existe uma lista de vícios que a redação oficial rejeita, e reconhecê-los resolve as questões de reescrita.
- Rebuscamento. Palavra difícil não aumenta a formalidade, só atrapalha a clareza.
- Jargão e sigla sem explicação. O documento precisa ser compreensível fora do setor que o produziu.
- Redundância. Construções como "elo de ligação" ou "planejar antecipadamente" somam palavras sem somar sentido.
- Cortesia vazia na abertura. Iniciar com fórmulas de louvor ao destinatário em vez de ir ao assunto.
- Coloquialismo. Registro informal quebra a formalidade exigida.
Como as bancas cobram redação oficial
Os padrões se repetem com uma constância que chega a ser confortável.
- Pronome de tratamento desatualizado. A questão usa Vossa Senhoria em comunicação interna federal e pergunta se está correto. Depois do Decreto 9.758/2019, não está.
- Fecho inventado. Aparece "Cordialmente" entre as alternativas. Nunca é a resposta.
- Troca na ordem das partes. Assunto depois do texto, fecho antes da identificação do expediente. Basta conhecer a sequência.
- Confusão entre atributos. Definem clareza com as palavras de concisão, ou dizem que impessoalidade obriga voz passiva.
- Modelo antigo de documento. Tratam aviso e memorando como espécies autônomas, ignorando a unificação da 3ª edição.
- Reescrita de trecho. Pedem para identificar a versão que mantém o sentido dentro da norma e do registro formal. Aqui a matéria se encontra com gramática pura.
Um roteiro de estudo curto
Duas semanas bem usadas resolvem a matéria para a maioria dos editais.
Primeiros dias. Leia o texto do Decreto 9.758/2019 inteiro, que é curtíssimo, e fixe a lista de formas vedadas e as exceções. Esse é o ponto de maior retorno imediato.
Meio da primeira semana. Parta para os atributos da redação oficial e monte uma tabela com a definição de cada um nas suas palavras, ao lado da definição do manual. Onde as duas divergirem, você encontrou o ponto em que a banca vai te pegar.
Segunda semana. Estrutura do padrão ofício e fechos. Escreva à mão um ofício fictício completo, do cabeçalho à identificação do signatário. Parece exercício de escola, e é justamente por isso que funciona: a ordem das partes fica na memória motora e não sai mais.
Fechamento. De 40 a 60 questões da banca do seu concurso. Redação oficial tem estilo próprio em cada banca, e resolver questões do examinador certo vale mais do que resolver o dobro de questões aleatórias.
Quanto isso vale no seu edital
Redação oficial costuma render de duas a quatro questões nas provas em que aparece, e é comum ela estar dentro do bloco de Língua Portuguesa, sem destaque no conteúdo programático. Muita gente passa batido por isso e descobre a matéria na hora da prova.
O cálculo é parecido com o de ética: conteúdo curto, cobrança literal, chance real de acertar tudo. Em disciplinas grandes, um mês de estudo talvez mova uma ou duas questões. Aqui, duas semanas podem transformar três incertezas em três acertos.
No Portal Concursoso caminho mais rápido para essa matéria passa pelo banco de questões filtrado por banca, que expõe rapidamente qual dos seis padrões acima o seu examinador prefere. Os simulados no formato da prova ajudam a testar se a estrutura do padrão ofício está realmente fixada sob pressão de tempo, e as aulas ao vivo são o lugar para tirar as dúvidas de norma que aparecem nas questões de reescrita, que é onde redação oficial deixa de ser decoreba e vira gramática aplicada.
Perguntas frequentes
O que é redação oficial?
É a forma padronizada pela qual o poder público redige seus documentos e comunicações, definida no Manual de Redação da Presidência da República. Ela se orienta por impessoalidade, clareza, concisão, formalidade, padronização e uso do padrão culto da linguagem. Em concursos, aparece dentro de Língua Portuguesa e cobra tanto estrutura de documento quanto adequação de linguagem.
Ainda se usa Vossa Excelência em documento oficial?
Nas comunicações com agentes públicos federais, não. O Decreto 9.758/2019 estabeleceu "senhor" como único pronome de tratamento admitido e vedou expressamente Vossa Excelência, Vossa Senhoria e Vossa Magnificência, entre outras formas. A regra tem exceções para autoridades estrangeiras e para casos em que normas próprias de outros Poderes exijam tratamento específico.
Quais são os fechos da redação oficial?
São apenas dois: "Respeitosamente", para autoridades de hierarquia superior, incluindo o Presidente da República, e "Atenciosamente", para autoridades de mesma hierarquia ou inferior. Fórmulas como "Cordialmente" não são aceitas em documento oficial. Comunicações com autoridades estrangeiras seguem tradição própria.
Qual a diferença entre ofício, aviso e memorando?
Na 3ª edição do Manual de Redação da Presidência da República, de 2018, os três foram unificados em um único modelo, o padrão ofício. Materiais mais antigos ainda os apresentam como espécies distintas, o que gera erro em prova. Se o seu edital indica a edição vigente, considere a unificação.
Quais são as partes do padrão ofício?
Na ordem: cabeçalho, identificação do expediente, local e data, endereçamento, assunto, texto, fecho, identificação do signatário e numeração de páginas quando houver mais de uma. A troca na ordem dessas partes é um dos formatos de questão mais comuns da matéria.
Redação oficial é difícil de estudar?
Não, e esse é o ponto que mais surpreende quem começa. O conteúdo é curto, muito padronizado e cobrado de forma literal, o que permite acerto alto com duas semanas de estudo dirigido. A dificuldade costuma vir de material desatualizado, que ensina regras revogadas.
Concursos estaduais e municipais cobram o mesmo manual?
Nem sempre. Muitos entes têm manual de redação próprio, e alguns editais indicam expressamente qual referência será usada. Leia o conteúdo programático antes de escolher material, porque estudar o manual errado desperdiça tempo numa disciplina que deveria ser rápida.
Como se abrevia "Atenciosamente" corretamente?
A abreviação adequada em português é "At.te". A forma "At.te" vem da tradição empresarial de língua inglesa e não é apropriada para documentos oficiais nem para correspondência formal em português. Esse detalhe já apareceu em questões de prova.
Se redação oficial está no seu conteúdo programático, comece hoje pelo Decreto 9.758/2019: são poucos minutos de leitura e é o ponto em que a maioria dos candidatos ainda erra por estudar material antigo. Depois, treine com questões da sua banca. No Portal Concursos você encontra banco de questões filtrado por examinador, simulados no formato do seu concurso e cursos direcionados. Conheça o Portal Concursos.