Dez critérios, três examinadores e 45 minutos de aula. No regulamento do Instituto Federal de São Paulo, estourar o tempo derruba um critério inteiro, e quem fecha abaixo de 60 pontos está eliminado da fase.
A prova didática é a etapa em que o candidato a professor ministra uma aula diante de uma banca examinadora. No modelo do Instituto Federal de São Paulo, a aula dura 45 minutos, é avaliada por três examinadores que atribuem de 0 a 100 pontos cada, e exige nota mínima de 60 pontos para aprovação.

Atualizado em 9 de outubro de 2026.
O que você vai encontrar neste guia:
- O que é a prova didática e quem enfrenta essa fase
- Como a banca pontua a sua aula
- O plano de aula, o documento que a banca lê antes de ouvir você
- Passo a passo para preparar a aula
- Rotina de preparação em sete dias
- Erros que derrubam candidato preparado
- Perguntas frequentes
O que é a prova didática e quem enfrenta essa fase?
É uma prova de desempenho. O candidato dá uma aula real, sobre tema definido pelo edital ou sorteado, e a banca avalia se ele sabe ensinar aquele conteúdo, não apenas se o domina. A fase aparece nos concursos de magistério: institutos federais, universidades, redes estaduais e municipais de ensino, e parte dos concursos de instrutor em carreiras técnicas.
O nome varia conforme o edital. Prova didática, prova de desempenho didático, aula teste e prova prática de regência apontam para a mesma coisa. Quem está mapeando o processo inteiro encontra o desenho da primeira fase no texto sobre o que cai na prova de concurso para professor.
Dois detalhes do regulamento do Instituto Federal de São Paulo mudam a preparação de quem nunca passou por isso. A sessão é pública, e a prova é gravada em áudio e vídeo para registro e avaliação. Além do mais, candidatos não podem assistir à prova dos concorrentes, o que elimina a tática de aprender observando quem entrou antes.
Essa é uma fase que premia ensaio, e não improviso. Muita gente chega aqui com título de mestrado e sai eliminada por não ter falado em voz alta uma única vez antes do dia.
Como a banca pontua a sua aula:
A banca do regulamento analisado tem três integrantes: dois especialistas na área específica do cargo e um especialista em didática. Cada um atribui de 0 a 100 pontos, e a nota final é a média aritmética simples das três notas, com duas casas decimais.
Dentro dos 100 pontos de cada avaliador, há dez critérios valendo até 10 pontos cada. A divisão revela onde a nota é realmente ganha.
| Critério avaliado | Peso na nota de cada avaliador |
|---|---|
| Pertinência do plano de aula com a atuação do candidato | Até 10 pontos. |
| Apresentação, contextualização e problematização do tema | Até 10 pontos. |
| Clareza, objetividade, comunicabilidade, fluência e dicção | Até 10 pontos. |
| Linguagem e adequação ao público | Até 10 pontos. |
| Habilidade e conhecimento técnico | Até 10 pontos. |
| Procedimento e metodologia | Até 10 pontos. |
| Adequação dos recursos didáticos ao tema | Até 10 pontos. |
| Motivação da turma | Até 10 pontos. |
| Adequação do desenvolvimento do plano ao tempo | Até 10 pontos. |
| Conclusão da aula | Até 10 pontos. |
Olhe a lista com atenção e conte quantos itens tratam de conteúdo. Dois, no máximo três. Os outros sete avaliam execução: como você fala, como organiza, como usa o tempo, como fecha. O examinador de didática trabalha com a própria grade, que inclui objetivos, conteúdos, estratégia, explicação da forma de avaliação, pertinência ao nível do curso, domínio do conteúdo, sequência do desenvolvimento, consistência argumentativa e linguagem.
Dois critérios merecem destaque porque são os mais negligenciados. A problematização, ou seja, a pergunta que justifica a aula existir, e a conclusão, que amarra o que foi dito. Aula que começa direto no conteúdo e termina quando o tempo acaba perde 20 pontos sem o candidato notar.
O plano de aula: o documento que a banca lê antes de ouvir você.
O plano de aula não é formalidade. Ele vale um critério próprio, e ainda orienta o olhar dos três examinadores durante toda a apresentação. Se o que você faz na sala não corresponde ao que o papel prometeu, a perda é dupla.
O que o plano precisa conter:
- Identificação do tema, exatamente como publicado pela banca.
- Pré-requisitos, isto é, o que a turma já deveria saber antes dessa aula.
- Objetivos de aprendizagem, escritos como resultado observável.
- Desenvolvimento, com a sequência das etapas e o tempo de cada uma.
- Recursos didáticos que serão usados.
- Forma de avaliação da aprendizagem naquela aula.
- Referências bibliográficas.
Regras de entrega que eliminam por detalhe.
No regulamento do Instituto Federal de São Paulo, o plano é entregue em três vias impressas ao presidente da banca, dentro de envelope identificado com nome, número de inscrição e cargo ou área. O documento tem exigência de fonte e de margem.
Três vias, uma para cada examinador. Quem leva uma só começa a prova pedindo desculpa, e esse não é o tom com que se quer abrir. Confira a formatação exigida no seu edital na véspera, porque ela varia de instituição para instituição.
Passo a passo para preparar a aula:
Primeiro, leia o edital e o regulamento da prova inteiros.
Duração, forma de definição do tema, composição da banca, critérios, nota mínima, recursos permitidos e regras de entrega do plano. Cada instituição escreve o seu, e copiar a experiência de um colega que prestou outro concurso é a origem de metade dos erros. A lógica de ler o documento antes de estudar vale para todo o processo, como mostra o guia de como funciona um concurso público.
Segundo, recorte o tema ao tempo que você tem.
O erro clássico é tratar o tema como se fosse uma unidade inteira do programa. Em 45 minutos cabe um recorte com começo, meio e fim, e nada mais. Escolha a parte do tema que permite problematizar, desenvolver e concluir dentro do tempo, e diga à banca, no início, qual recorte você fez e por quê.
Terceiro, escreva o plano antes de montar o material.
Quem abre o programa de apresentação primeiro acaba montando a aula em função dos slides. Escreva o plano, defina o tempo de cada etapa, e só então produza o material que serve àquela sequência. O plano é o roteiro, e o slide é o apoio.
Quarto, ensaie com cronômetro e em voz alta.
Ensaio mental não serve. Fale a aula inteira, de pé, cronometrando cada etapa, no mínimo três vezes. Na primeira você descobre que o conteúdo não cabe. Na segunda ajusta o recorte. Na terceira começa a soar como aula, e não como leitura. Gravar o próprio áudio e ouvir depois é desconfortável e resolve problema de dicção em uma tarde.
Quinto, prepare o plano B dos recursos.
Projetor que não liga, arquivo que não abre, sala sem tomada acessível. Leve o material em dois formatos, tenha uma versão da aula que funcione apenas com lousa, e chegue com antecedência para testar. Perder dez minutos com equipamento consome o critério de adequação ao tempo.
Sexto, treine a abertura e a conclusão separadamente.
São os dois trechos que a banca registra com mais nitidez, e os dois que valem critério próprio. Decore a problematização inicial, com a pergunta que a aula vai responder, e decore o fechamento, com a retomada dos objetivos. O meio pode ter alguma fluidez, essas duas pontas não.
Rotina de preparação em sete dias:
| Dia | Tarefa |
|---|---|
| 1 | Ler edital e regulamento, anotar duração, critérios e regras de entrega do plano. |
| 2 | Definir o recorte do tema e escrever os objetivos de aprendizagem. |
| 3 | Escrever o plano de aula completo, com tempo marcado por etapa. |
| 4 | Produzir o material de apoio e a versão alternativa sem projetor. |
| 5 | Primeiro ensaio cronometrado, em voz alta e de pé, com gravação do áudio. |
| 6 | Segundo e terceiro ensaios, com ajuste de recorte e de tempo. |
| 7 | Impressão das vias do plano, conferência de formatação e ensaio só da abertura e da conclusão. |
Essa distribuição funciona melhor do que estudar o tema por sete dias seguidos, porque espalha a prática ao longo do tempo. O princípio é o mesmo descrito no material sobre curva de esquecimento e revisão ativa.
Erros que derrubam candidato preparado:
- Tentar cobrir o tema todo e estourar o tempo, perdendo o critério de adequação ao tempo e a conclusão.
- Ler os slides. A banca avalia comunicabilidade, fluência e dicção, e leitura zera esse campo.
- Entregar plano de aula divergente da aula apresentada, o que afeta dois critérios ao mesmo tempo.
- Esquecer a forma de avaliação. O examinador de didática tem critério específico para isso.
- Falar para a banca em vez de falar para a turma hipotética, ignorando o nível do curso indicado no edital.
- Levar uma via do plano em vez das três exigidas.
- Terminar dez minutos antes sem fechamento, o que sinaliza recorte mal calculado.
Vale um aviso sobre o item dois. Decorar a aula palavra por palavra produz o mesmo efeito de ler, porque trava quando algo sai do roteiro. Decore a estrutura e as duas pontas, e deixe o desenvolvimento no modo conversa.
Depois da prova didática: o que ainda falta.
Em boa parte dos concursos de magistério, a didática é seguida pela prova de títulos, que soma pontos por titulação e por experiência, e depois pela nomeação e posse. O percurso dos documentos está descrito no guia de posse em concurso público.
Quem está decidindo se vale a pena entrar nessa disputa encontra os números da carreira nos panoramas de quanto ganha um professor concursado e de quanto ganha um professor universitário federal. Para quem busca a área de educação em cargo não docente, há também o panorama de técnico administrativo em educação e o de inspetor de alunos.
Candidatos que enfrentam discursiva na mesma seleção podem aproveitar o treino de escrita do guia de redação para concursos, da rotina de quatro semanas para treinar redação e do panorama dos cinco formatos de prova discursiva. A capacidade de estruturar argumento serve nos dois lugares.
Fontes oficiais para consulta: as orientações da prova de desempenho didático do Instituto Federal de São Paulo e a Lei 8.112 de 1990, que define o concurso de provas e títulos no serviço público federal.

Perguntas frequentes:
Quanto tempo dura a prova didática?
No regulamento do Instituto Federal de São Paulo, a aula tem 45 minutos, e a banca pode avisar quando faltam 10 minutos para o fim. Outras instituições trabalham com 30, 40 ou 50 minutos. O número exato está no edital ou no regulamento específico da prova, e a adequação ao tempo é critério pontuado.
Quem avalia a prova didática?
Uma banca de três integrantes no modelo analisado: dois especialistas na área do cargo e um especialista em didática. Cada examinador atribui de 0 a 100 pontos, e a nota final é a média aritmética simples das três notas. Isso significa que a avaliação pedagógica vale um terço do resultado.
Qual é a nota mínima na prova didática?
No regulamento citado, 60 pontos. Quem fica abaixo é eliminado, independentemente do desempenho nas fases anteriores. Confirme o patamar no seu edital, porque algumas instituições adotam valores diferentes.
A prova didática é gravada?
No modelo do Instituto Federal de São Paulo, sim. A sessão é pública e a prova é gravada em áudio e vídeo para efeito de registro e avaliação. A gravação também serve de base em eventual recurso contra a nota.
Posso assistir à prova didática dos outros candidatos?
Não nesse regulamento. As provas são públicas e abertas a espectadores inscritos previamente, mas há vedação expressa à presença de outros candidatos. Planeje a preparação sem contar com a observação dos concorrentes.
O plano de aula precisa ser entregue impresso?
No regulamento analisado, sim, em três vias impressas e dentro de envelope identificado com nome, número de inscrição e cargo. Há exigência de fonte e de margem. Conferir esse detalhe na véspera evita perder ponto por formalidade.
Ensaie como se a banca já estivesse na sala.
Aula avaliada se ganha com repetição e com retorno de alguém que entende de didática, não com mais leitura sobre o tema. No Portal Concursos você estuda com aulas ao vivo em que dá para perguntar na hora, conta com suporte individualizado para revisar a sua estratégia de fase prática, e treina as etapas objetivas da seleção no banco de questões e nos simulados. Conheça os cursos direcionados do Portal Concursos e confira o conteúdo para carreiras de magistério.