Quem marca derivação prefixal e sufixal onde o gabarito pede parasintética perde a questão mais barata de morfologia da prova.
Formação de palavras é o conjunto de processos pelos quais a língua cria vocábulos novos a partir de elementos que já existem. Os dois principais são a derivação, que acrescenta afixos a um radical, e a composição, que une dois ou mais radicais. Ao lado deles ficam processos menores, como sigla, abreviação, onomatopeia e hibridismo.

Atualizado em 7 de outubro de 2026.
- A estrutura da palavra vem antes do processo
- Os seis tipos de derivação
- Composição por justaposição e por aglutinação
- Processos secundários de formação de palavras
- Tabela comparativa dos processos
- Como as bancas cobram formação de palavras
- Os erros que mais derrubam candidato
- Resumo para revisão rápida
- Perguntas frequentes
A estrutura da palavra vem antes do processo.
Não existe como classificar um processo de formação sem reconhecer os elementos que compõem a palavra. Eles são cinco, e cada um tem função própria dentro do vocábulo.
Radical.
É o elemento que carrega o significado básico e se repete na família de palavras. Em pedra, pedreiro, pedregulho e empedrar, o radical é pedr. Identificar o radical é o primeiro movimento de qualquer questão de morfologia, porque ele delimita o que foi acrescentado.
Prefixo e sufixo.
Prefixo vem antes do radical e sufixo vem depois. Em infeliz, o in é prefixo de negação. Em felizmente, o mente é sufixo formador de advérbio. O sufixo, diferente do prefixo, costuma mudar a classe gramatical da palavra, e essa é uma pista que a banca explora.
Vogal temática, desinência e vogal de ligação.
A vogal temática liga o radical às desinências nos verbos, como o a de cantar. As desinências marcam gênero e número nos nomes e modo, tempo, número e pessoa nos verbos. Já a vogal de ligação é um elemento sem significado, inserido só para facilitar a pronúncia, como o i de gasoduto. Nenhum desses três forma palavra nova, e é justamente por isso que eles aparecem em alternativas erradas.
Os seis tipos de derivação:
Derivação é a criação de uma palavra nova pelo acréscimo ou pela retirada de afixos em um radical. São seis tipos, e a diferença entre dois deles responde por boa parte dos erros.
Derivação prefixal.
Acrescenta apenas prefixo. Exemplos: desleal, refazer, antipático, inconstante. Retirando o prefixo, sobra uma palavra que existe na língua, e esse é o teste prático.
Derivação sufixal.
Acrescenta apenas sufixo. Exemplos: felizmente, pedreiro, dentista, livraria. O sufixo frequentemente muda a classe, como em feliz, adjetivo, que vira felizmente, advérbio.
Derivação prefixal e sufixal.
Acrescenta prefixo e sufixo, mas de forma independente, ou seja, a palavra continua existindo se você retirar só um dos dois. Em infelizmente, existem infeliz e felizmente. Esse é o critério que a banca quer ver aplicado.
Derivação parasintética.
Acrescenta prefixo e sufixo ao mesmo tempo, de modo que a retirada de qualquer um deles gera uma forma inexistente. Em entardecer, não existem entarde nem tardecer. O mesmo vale para emagrecer, anoitecer, esclarecer e amolecer. Guardar esse teste de retirada resolve a confusão com o tipo anterior.
Derivação regressiva.
Retira elementos em vez de acrescentar, e normalmente forma substantivo a partir de verbo. De cantar vem o canto, de chorar vem o choro, de combater vem o combate. O sinal de alerta é o substantivo que nomeia a ação do verbo sem nenhum afixo visível.
Derivação imprópria.
Também chamada de conversão, muda a classe gramatical sem alterar a forma. O adjetivo jantar em o jantar está servido era verbo. O verbo não em o não dele foi definitivo virou substantivo. Nada na palavra muda, só a função na frase.
Composição por justaposição e por aglutinação:
Composição é a união de dois ou mais radicais para formar um vocábulo novo. A diferença entre os dois tipos está em uma pergunta simples: os radicais mantiveram a forma original ou perderam letras no encontro?
Justaposição.
Os radicais se juntam sem perda de letra nem de som. Exemplos: guarda-chuva, passatempo, girassol, pé de moleque, segunda-feira. Cada parte continua reconhecível na palavra final, com ou sem hífen.
Aglutinação.
Pelo menos um radical sofre perda fonética na junção. Planalto nasce de plano mais alto, com queda do o. Aguardente vem de água mais ardente. Embora vem de em mais boa mais hora. A marca é essa: o encontro deformou as partes.
O uso ou não do hífen em compostos segue as regras do acordo ortográfico vigente, e a consulta definitiva é sempre o vocabulário oficial. Quando a dúvida é de grafia e não de processo, o lugar de checar é a busca no vocabulário ortográfico da Academia Brasileira de Letras, que reúne cerca de 381 mil verbetes com classificação gramatical. O texto do acordo está disponível no Decreto 6.583 de 2008.
Processos secundários de formação de palavras:
Além de derivação e composição, há processos que aparecem com menos frequência na prova, mas que costumam ocupar uma alternativa inteira da questão.
- Hibridismo: junção de radicais de línguas diferentes, como em automóvel, grego mais latim, e em sociologia.
- Onomatopeia: palavra criada pela imitação de um som, como tique-taque, zumbido e miau.
- Abreviação: redução da palavra pelo uso corrente, como pneu de pneumático, foto de fotografia e moto de motocicleta.
- Siglagem: formação pelas iniciais de uma expressão, como ONU e CPF, que podem gerar derivados depois.
- Reduplicação: repetição de sílabas, muito comum na linguagem infantil, como em papai, vovó e reco-reco.
- Empréstimo: incorporação de palavra estrangeira, com ou sem adaptação, como futebol, de football, e deletar.
- Neologismo: criação recente, por qualquer dos processos acima, para nomear algo que ainda não tinha nome.
Tabela comparativa dos processos:
| Processo | Como funciona | Exemplo | Teste rápido |
|---|---|---|---|
| Prefixal | Só prefixo | desleal | Sobra palavra existente sem o prefixo |
| Sufixal | Só sufixo | pedreiro | Sobra palavra existente sem o sufixo |
| Prefixal e sufixal | Os dois, em momentos distintos | infelizmente | Existem infeliz e felizmente |
| Parasintética | Os dois, simultaneamente | entardecer | Não existem entarde nem tardecer |
| Regressiva | Retira elementos | o choro | Substantivo que nomeia a ação do verbo |
| Imprópria | Muda a classe, não a forma | o jantar | Palavra idêntica em outra função |
| Justaposição | Radicais inteiros | girassol | Partes reconhecíveis |
| Aglutinação | Radicais com perda fonética | planalto | Letras caíram na junção |
Como as bancas cobram formação de palavras?
A cobrança quase nunca pede a definição do processo. Ela entrega quatro ou cinco palavras e pede que você aponte a que foi formada por processo diferente das demais, ou que classifique uma delas. Veja uma formulação no estilo recorrente das provas.
Enunciado modelo: assinale a palavra formada por derivação parasintética: a) infelizmente, b) anoitecer, c) desleal, d) pedreiro, e) planalto.
Resposta comentada: a alternativa correta é a letra b. Em anoitecer, retirar o prefixo gera noitecer, que não existe, e retirar o sufixo gera anoite, que também não existe, logo prefixo e sufixo entraram juntos. Em infelizmente existem as formas intermediárias, o que caracteriza derivação prefixal e sufixal. Desleal é prefixal, pedreiro é sufixal e planalto é composição por aglutinação.
Note o que a questão realmente mediu: a aplicação do teste de retirada. Quem memorizou listas de prefixos não tem como resolver, e quem entendeu o critério resolve em quinze segundos. Essa diferença entre memorizar e compreender aparece em todas as disciplinas, como mostra o material sobre curva de esquecimento e revisão ativa.
Os erros que mais derrubam candidato:
- Confundir prefixal e sufixal com parasintética por não aplicar o teste de retirada em cada afixo separadamente.
- Chamar de composição o que é hibridismo, esquecendo que a origem dos radicais é o critério do hibridismo.
- Tratar vogal de ligação como afixo, e com isso classificar gasoduto como derivação.
- Ignorar a derivação imprópria quando a palavra aparece idêntica em outra classe gramatical.
- Procurar sufixo em substantivos regressivos como o combate, que na verdade perderam elementos.
- Considerar que todo composto leva hífen, quando a grafia depende da regra ortográfica e não do processo.
O padrão desses seis erros é o mesmo: pressa na leitura da alternativa. Um método fixo de resolução reduz muito a taxa de queda, e o roteiro descrito em como resolver questões de concurso serve bem para morfologia. Para fixar os critérios sem reler a teoria inteira, a técnica de resumo para concurso rende mais que releitura.
Resumo para revisão rápida:
- Formação de palavras tem dois processos centrais, derivação e composição, mais um grupo de processos secundários.
- Derivação mexe em afixos, composição une radicais.
- Prefixal e sufixal admite formas intermediárias, parasintética não admite nenhuma.
- Regressiva retira, imprópria converte a classe sem mudar a forma.
- Justaposição conserva os radicais, aglutinação os deforma.
- Hibridismo é critério de origem, não de quantidade de radicais.
- Vogal temática, desinência e vogal de ligação não formam palavra nova.
- O teste de retirada resolve a maioria absoluta das questões do assunto.
Morfologia é um dos assuntos de maior retorno em tempo de estudo na prova de língua portuguesa, porque o número de regras é pequeno e a cobrança é estável de banca para banca. Quem fecha formação de palavras ganha pontos com pouca revisão, e a seção de dicas de língua portuguesa reúne os demais tópicos que se comportam assim. Para medir o avanço na prática, o caminho é treinar em volume, como explica o guia de banco de questões, e organizar o material como mostra o passo a passo de caderno de estudo.
Quem está montando a base agora encontra na seção de guias o roteiro completo do primeiro concurso, e na editoria de notícias as aberturas em andamento. Se o seu foco é um cargo específico, os panoramas de carreiras e salários ajudam a decidir onde investir o tempo, e o conteúdo de matemática e raciocínio lógico cobre a outra metade da prova objetiva. Já quem precisa dominar o estilo de cobrança por etapa pode começar pela seção de análise de provas.
Perguntas frequentes:
Qual a diferença entre derivação prefixal e sufixal e parasintética?
A diferença está no teste de retirada. Na prefixal e sufixal, retirar apenas um dos afixos ainda deixa uma palavra que existe, como infeliz e felizmente dentro de infelizmente. Na parasintética, retirar qualquer um gera forma inexistente, como em anoitecer. Esse é o critério que as bancas cobram com mais frequência.
Girassol é composição por justaposição ou aglutinação?
É justaposição. Os radicais gira e sol entram inteiros na palavra, sem perda de letra ou de som. Em aglutinação haveria deformação na junção, como ocorre em planalto, de plano mais alto.
Automóvel é composição ou hibridismo?
É hibridismo, que é um tipo de formação por radicais de línguas diferentes. Auto vem do grego e móvel vem do latim. Quando os dois radicais pertencem à mesma língua, a classificação volta a ser composição.
Vogal de ligação é prefixo ou sufixo?
Não é nenhum dos dois. Ela é um elemento sem significado, inserido apenas para facilitar a pronúncia na junção de radicais, como o i de gasoduto. Como não carrega sentido, ela nunca caracteriza derivação.
Formação de palavras cai muito em concurso?
Cai com regularidade nas provas de língua portuguesa de todos os níveis, em geral em uma ou duas questões por prova. O conteúdo é pequeno e estável, o que faz dele um dos melhores investimentos de tempo da disciplina. Vale fechar o assunto cedo na preparação e manter com revisões curtas.
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