Todo concurso militar abre uma de duas portas: a carreira, em que o candidato entra para ficar até a reserva, ou o serviço temporário, com tempo de permanência limitado pelo edital. Entender de qual porta se trata antes de estudar evita o erro mais caro dessa área, que é preparar-se meses para um certame incompatível com a sua idade, a sua formação ou o seu plano de vida.
Atualizado em 18/09/2026.
Essa área tem regra própria. Enquanto o concurso civil costuma se resumir a prova e nomeação, o militar acumula inspeção de saúde, teste físico, avaliação psicológica, investigação de vida pregressa e, em muitos casos, um curso de formação que já é parte do processo seletivo. Cada uma dessas fases elimina.
Quais são os concursos militares no Brasil
Existem duas grandes famílias, e elas não se comunicam. As Forças Armadas selecionam para o âmbito federal, com abrangência nacional. As corporações militares estaduais selecionam para atuação dentro do estado, com edital próprio e regras definidas pela legislação local.
| Família | Quem seleciona | Abrangência |
|---|---|---|
| Forças Armadas | Exército, Marinha e Aeronáutica | Nacional, com lotação conforme a necessidade da força |
| Militares estaduais | Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares | Estadual, com lotação no território do estado |
A consequência prática é que não existe "o" concurso militar. Existem dezenas de portas de entrada, com idades, escolaridades e etapas diferentes. Comparar duas delas lado a lado antes de escolher é trabalho de uma tarde e economiza um ano.
Militar de carreira e militar temporário
Militar de carreira ingressa por concurso que leva a uma escola de formação e segue a hierarquia da corporação até a reserva, com progressão prevista em lei, estabilidade e regime previdenciário próprio dos militares. É o caminho mais longo de entrada e o de maior permanência.
O serviço militar temporário funciona de outra maneira. O convocado presta serviço por tempo determinado, com possibilidade de prorrogação dentro do limite que a legislação e o edital fixam, e ao fim desse período deixa a ativa. É a porta que mais recebe profissionais já formados, principalmente das áreas de saúde, engenharia, direito e tecnologia, que entram como oficiais técnicos temporários.
Quem busca uma experiência definida no tempo, ou quer exercer a profissão em ambiente militar sem abrir mão de outros planos, encontra no temporário uma alternativa real. Quem busca carreira até a reserva precisa olhar para os concursos de formação. Os dois são legítimos, mas escolher o errado significa descobrir a incompatibilidade depois de aprovado.
Praça ou oficial: por onde se entra
A hierarquia militar se divide em dois círculos, e o concurso define em qual deles você entra. Círculo de praças reúne as graduações iniciais e intermediárias; círculo de oficiais reúne os postos de comando.
Para o círculo de praças, o requisito de escolaridade na maior parte dos editais é o ensino médio completo, e em alguns casos o ensino fundamental para funções específicas. A idade exigida tende a ser mais restrita, porque o ingresso é pensado para o início da vida profissional.
Para o círculo de oficiais, há dois caminhos. Um deles passa por escolas de formação de oficiais, com ingresso por concurso que exige ensino médio e depois forma o oficial dentro da instituição. O outro é o ingresso direto de profissionais já graduados, em cargos que exigem diploma de nível superior na área correspondente.
Uma escolha comum e mal informada: candidatos com curso superior concluído que prestam concurso para praça sem saber que existia edital de oficial compatível com a formação deles. Antes de se inscrever, verifique se a sua graduação abre uma porta de entrada mais alta na hierarquia.
Requisitos que aparecem em quase todo edital
A lista definitiva é sempre a do edital, mas há um conjunto de exigências que se repete com muita regularidade nos concursos militares:
- Nacionalidade brasileira. Cargo militar é privativo de brasileiro, sem a abertura que existe em algumas carreiras civis.
- Situação regular com as obrigações eleitorais e, para candidatos do sexo masculino, com o serviço militar.
- Idade dentro da faixa fixada no edital. Concurso militar trabalha com janela de idade, em geral mais estreita do que a do concurso civil.
- Escolaridade concluída no nível exigido, comprovada no prazo que o edital determinar.
- Aptidão em inspeção de saúde, incluindo exames clínicos, laboratoriais e de imagem conforme a lista do edital.
- Aptidão física comprovada em teste presencial, com índices mínimos por exercício.
- Conduta compatível, verificada em investigação social e na apresentação de certidões.
- Altura mínima, em parte dos editais, especialmente em corporações estaduais.
Dois avisos importantes. Primeiro: exigências de saúde e de índices físicos mudam de edital para edital, e há condições que são incapacitantes em uma corporação e não em outra. Segundo: nenhuma lista de internet substitui a leitura do anexo de inspeção de saúde do edital. Se você tem alguma condição que gera dúvida, esse anexo é o documento a procurar.
As etapas do concurso militar, uma por uma
A ordem varia, mas o conjunto é previsível. Conhecer a função de cada fase muda a maneira de se preparar para ela.
Prova objetiva. Primeira barreira e a que mais elimina em número absoluto. Em concursos de nível médio das Forças Armadas, o peso costuma recair sobre português e matemática, com física e química entrando em escolas de formação técnica. Em corporações estaduais, o recorte se aproxima do concurso civil, com português, atualidades, noções de direito e legislação específica.
Redação ou prova discursiva. Presente em boa parte dos editais, com peso que varia e, em alguns casos, caráter eliminatório por nota mínima. Vale confirmar no edital se a redação é eliminatória antes de tratá-la como detalhe.
Inspeção de saúde. Avaliação clínica e exames complementares, com lista de condições incapacitantes definida no edital. Fase de resultado binário: apto ou inapto.
Teste de aptidão física. Exercícios com índice mínimo por sexo e, em vários editais, por faixa de idade. É a fase que mais se beneficia de preparação antecipada, porque condicionamento não se constrói em duas semanas.
Avaliação psicológica. Aplicação de testes padronizados para verificar compatibilidade com as exigências do cargo. Não é prova de conhecimento e não se prepara com estudo de conteúdo.
Investigação social. Verificação de vida pregressa e de idoneidade, com apresentação de certidões e preenchimento de formulário detalhado. Informação omitida ou divergente pesa mais do que o fato em si.
Curso de formação. Nos concursos de carreira, a etapa final é o próprio curso, em regime de dedicação integral, com avaliações que continuam eliminando. Aprovado no concurso não é o mesmo que formado.
Quanto ganha um militar
A remuneração militar é definida por posto ou graduação, não por cargo isolado, e varia entre as Forças Armadas e entre os estados. Existem ainda adicionais e gratificações previstos em legislação própria, além de mudanças de valor conforme a progressão na hierarquia.
Por isso não existe um número único que responda a pergunta. O que existe é uma fonte confiável: o edital do concurso informa a remuneração inicial do posto ou graduação em disputa, e a tabela de remuneração publicada pela força ou pelo estado mostra a evolução ao longo da carreira. Durante o curso de formação, em vários casos, o valor recebido é diferente do vencimento de quem já está formado, e o edital costuma explicitar isso.
Um ponto que quase ninguém avalia na hora de escolher: além do valor, muda o regime. Jornada, disponibilidade, possibilidade de transferência e regras de dedicação exclusiva fazem parte do pacote e têm efeito direto na vida pessoal. Ler o estatuto da corporação antes de decidir é tão útil quanto olhar a tabela salarial.
Idade: a variável que fecha portas
Concurso militar é a área em que o limite de idade aparece com mais frequência, e a janela costuma ser estreita. A regra concreta vem sempre da lei da carreira e do edital, e varia bastante entre escolas de formação, ingresso de oficiais graduados e serviço temporário.
O erro comum é generalizar. Existe quem desista de tentar por acreditar que passou da idade em todas as portas, quando a idade limite muda conforme o tipo de ingresso. Antes de descartar a área, vale checar as janelas de cada modalidade que interessa. Em editais de oficiais técnicos e de serviço temporário, a faixa tende a ser mais ampla do que nas escolas de formação de praças.
Outro detalhe que muda resultado: o edital define a data de referência para o cálculo da idade, que pode ser a data da inscrição, a da matrícula no curso ou o dia 31 de dezembro do ano do concurso. Dois editais com o mesmo limite numérico podem ter efeito diferente por causa dessa data.
Mulheres no concurso militar
O ingresso feminino existe nas Forças Armadas e nas corporações estaduais, e a abertura vem crescendo ao longo dos últimos anos, com editais destinando vagas para candidatas em um número cada vez maior de cursos e funções. A oferta por edital, porém, não é uniforme: há certames com vagas para os dois sexos e outros restritos, conforme a função e a legislação aplicável.
Na prática, isso significa que a informação útil não está em uma regra geral, e sim na tabela de distribuição de vagas de cada edital. Os índices do teste físico também são fixados por sexo, o que altera a meta de preparação. Quem planeja a carreira deve acompanhar os editais das corporações de interesse em vez de trabalhar com a impressão de que a porta está fechada.
Como se preparar para um concurso militar
Preparação militar tem uma exigência que a civil não tem: duas frentes simultâneas. Conteúdo e corpo. Quem trata a segunda como detalhe chega ao teste físico despreparado depois de ter passado bem na objetiva, e a eliminação nessa altura é especialmente cruel.
No conteúdo, o caminho mais seguro é partir do edital anterior da mesma seleção. As Forças Armadas e as corporações estaduais têm tradição de repetir estrutura de prova, o que torna o histórico uma bússola confiável. Comece pelas disciplinas de maior peso, resolva provas passadas e só depois amplie para tópicos periféricos.
No físico, comece cedo e com orientação. Os índices exigidos estão no edital e nas provas anteriores; treinar com a meta conhecida é diferente de treinar no genérico. Aqui também vale respeitar limite: lesão perto da prova é o pior cenário possível.
E existe uma terceira frente que é pura organização: documentação. Certidões, comprovantes de escolaridade, regularidade eleitoral e militar, exames. Candidato aprovado que perde a vaga por documento vencido ou ausente não é raridade nessa área. Monte uma pasta desde o início da preparação.
Nos cursos direcionados do Portal Concursos, essas frentes ficam no mesmo lugar: as aulas ao vivo permitem levar a dúvida de legislação específica direto para o professor, o banco de questões separa itens por corporação e por banca, e os simulados reproduzem o tempo real de prova, que em concurso militar costuma ser apertado.
Perguntas frequentes sobre concurso militar
Como funciona um concurso militar?
O concurso militar combina prova objetiva, em geral uma redação, inspeção de saúde, teste de aptidão física, avaliação psicológica e investigação social, e nos ingressos de carreira termina em um curso de formação que também elimina. Todas essas fases têm caráter eliminatório, e não apenas a prova escrita. A ordem e a composição exata mudam conforme a força ou a corporação e constam sempre no edital.
Qual a diferença entre militar de carreira e militar temporário?
O militar de carreira ingressa por concurso ligado a uma escola de formação e permanece na instituição seguindo a hierarquia até a reserva. O temporário presta serviço por tempo determinado, com possibilidade de prorrogação dentro do limite previsto na legislação e no edital, e depois deixa a ativa. O serviço temporário recebe muitos profissionais já graduados, sobretudo das áreas de saúde, engenharia, direito e tecnologia.
Quem pode fazer concurso militar?
Em linhas gerais, brasileiros que estejam em situação regular com as obrigações eleitorais e, no caso dos candidatos do sexo masculino, com o serviço militar, dentro da faixa de idade do edital e com a escolaridade exigida concluída. O candidato também precisa ser considerado apto na inspeção de saúde, no teste físico, na avaliação psicológica e na investigação social. Cada edital detalha os requisitos, inclusive altura mínima quando houver.
Existe limite de idade para concurso militar?
Sim, e essa é uma das áreas em que o limite aparece com mais frequência, com janelas geralmente mais estreitas do que nos concursos civis. O valor varia conforme o tipo de ingresso: escolas de formação costumam ter faixa mais restrita do que editais de oficiais já graduados e de serviço temporário. O edital também define a data de referência para o cálculo da idade, o que pode mudar o resultado na prática.
Quanto ganha um militar?
A remuneração é definida por posto ou graduação e varia entre as Forças Armadas e entre os estados, com adicionais e gratificações previstos em legislação própria. Durante o curso de formação, o valor recebido normalmente é diferente do vencimento de quem já está formado. Consulte a remuneração inicial no edital do concurso e a tabela publicada pela força ou pelo estado para ver a evolução na carreira.
Concurso militar exige nível superior?
Depende da porta de entrada. Ingressos no círculo de praças costumam exigir ensino médio completo, e alguns editais aceitam ensino fundamental para funções específicas. Já o ingresso direto no círculo de oficiais em cargos técnicos exige diploma de nível superior na área correspondente, enquanto as escolas de formação de oficiais partem do ensino médio.
Mulheres podem prestar concurso militar?
Sim. O ingresso feminino existe nas Forças Armadas e nas corporações militares estaduais, e a oferta de vagas para candidatas vem crescendo em número de cursos e funções. A distribuição por sexo, no entanto, varia de edital para edital, e os índices do teste físico são fixados separadamente, então a tabela de vagas do certame específico é a informação que importa.
O que mais reprova em concurso militar?
Em número absoluto, a prova objetiva elimina mais gente, porque é a fase com o maior volume de candidatos. Entre quem já passou da prova, as eliminações se concentram na inspeção de saúde, no teste de aptidão física e em problemas de documentação ou de informação prestada na investigação social. Por isso condicionamento físico e organização de certidões devem começar junto com o estudo, não depois dele.
Dá para estudar para concurso militar e civil ao mesmo tempo?
Dá, com atenção ao recorte de conteúdo. Provas de nível médio das Forças Armadas pesam mais em português, matemática e ciências exatas, enquanto concursos civis e de corporações estaduais puxam para noções de direito, legislação específica e atualidades. A parte comum rende estudo compartilhado, mas as frentes específicas precisam de tempo próprio no cronograma.
O próximo passo prático
Antes de escolher material, escolha a porta. Separe duas ou três seleções que combinem com a sua idade, escolaridade e disposição para o regime militar, baixe o último edital de cada uma e compare quatro linhas: faixa de idade, escolaridade exigida, disciplinas de maior peso e índices do teste físico. Essa comparação define o seu plano melhor do que qualquer lista de dicas.
Com a porta escolhida, a preparação vira execução. Os cursos direcionados do Portal Concursos acompanham as principais seleções militares com aulas ao vivo, banco de questões por corporação, simulados no tempo real de prova e suporte individualizado para ajustar o cronograma quando o edital sair. Escolha a porta, depois acelere.