Certo ou errado x múltipla escolha: diferença na pontuação das bancas

Certo ou errado x múltipla escolha: diferença na pontuação das bancas
Luan Loureiro
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 14/10 às 21h

Em uma prova de múltipla escolha, chutar nunca tira pontos: na pior hipótese, você erra e fica como estava. Em uma prova certo ou errado, chutar pode custar o ponto que você já tinha garantido em outra questão. A mesma matéria, estudada da mesma forma, pode render notas bem diferentes dependendo de qual desses dois formatos a banca escolheu para a sua prova.

Por isso, a primeira pergunta antes de montar o plano de estudos não deveria ser só "o que vai cair", mas também "como a banca vai cobrar o que cai". Entender a diferença entre os dois formatos de pontuação evita que você treine do jeito errado durante meses e descubra isso só na véspera da prova.

Comparativo de pontuação entre a prova certo ou errado e a prova de múltipla escolha em concursos públicos.
No certo ou errado, o erro pode anular um acerto; na múltipla escolha, isso raramente acontece.

Neste guia você vai encontrar:

O que é a prova certo ou errado e o que é a prova de múltipla escolha?

Na prova certo ou errado, cada item apresenta uma única afirmação e o candidato decide se ela está certa ou errada. Não existem alternativas para comparar, apenas o texto da afirmação e a sua análise sobre ele. Esse formato é a marca registrada da Cebraspe entre as bancas brasileiras, com detalhes reunidos em redação Cebraspe: critérios de correção e fórmula para quem também vai enfrentar a prova discursiva.

Na prova de múltipla escolha, cada questão traz um enunciado seguido de quatro ou cinco alternativas, das quais apenas uma está correta. O candidato lê as opções, elimina as que considera erradas e marca a que resta como resposta. Esse é o formato usado pela maioria das bancas brasileiras, entre elas a FGV no topo da lista, cuja prova discursiva aparece detalhada no artigo redação FGV: como é corrigida e o que tira ponto do Portal Concursos.

A diferença parece só de formato, mas na prática ela muda a forma de ler o enunciado, de administrar o tempo e, principalmente, de decidir quando vale a pena responder sob dúvida.

Como funciona a pontuação em cada formato?

Critério.Certo ou errado.Múltipla escolha.
Acerto.Soma um ponto.Soma um ponto.
Erro.Geralmente subtrai um ponto.Não soma nem subtrai, na maioria das bancas.
Deixar em branco.Não soma nem subtrai.Não soma nem subtrai.
Risco do chute.Alto, porque o erro custa pontos já ganhos.Baixo, porque não há desconto na maior parte dos editais.
Tempo médio de resposta.Mais rápido, decisão binária.Mais lento, exige comparar alternativas.

A regra de desconto no certo ou errado é conhecida como "uma errada anula uma certa": cada erro cancela exatamente o valor de um acerto, item por item. É essa regra que torna o chute uma aposta real, e não um ganho garantido como costuma ser na múltipla escolha.

Quais bancas usam certo ou errado e quais usam múltipla escolha?

O formato certo ou errado concentra-se principalmente na banca Cebraspe e é responsável por concursos federais de grande volume, como Polícia Federal e Receita Federal, além de diversos certames estaduais que a contratam.

Já a múltipla escolha é usada pela maioria absoluta das bancas organizadoras brasileiras. Você confere o perfil completo de cada uma nestes artigos do Portal Concursos:

Dentro da múltipla escolha, porém, existe uma variação importante: algumas bancas também aplicam desconto por erro em parte dos editais, então vale sempre confirmar a regra exata no edital antes de decidir sua estratégia de marcação.

Antes de qualquer coisa, leia o edital do seu concurso e confirme qual formato e qual regra de pontuação a banca contratada vai aplicar, porque a mesma organizadora pode mudar a regra de um concurso para outro.

Qual formato é mais fácil para quem domina pouco da matéria?

Para quem ainda está no começo dos estudos e tem muita insegurança sobre o conteúdo, a múltipla escolha tende a ser mais amigável. Mesmo sem saber a resposta certa, é possível eliminar uma ou duas alternativas visivelmente erradas e ainda ter uma chance real de acertar por eliminação, sem risco de perder pontos.

No certo ou errado, a insegurança pesa de outro jeito: sem alternativas para comparar, o candidato que não domina o assunto tende a marcar no impulso ou a chutar sem critério, o que é justamente o comportamento mais penalizado pela regra de desconto. Por isso, quem está começando os estudos para uma banca como a Cebraspe costuma ganhar mais treinando a disciplina de deixar em branco do que treinando chutes.

Qual formato favorece quem domina bem o conteúdo?

Para o candidato que já revisou bastante e tem alta confiança nas respostas, o certo ou errado tende a ser mais rápido e mais justo: cada item exige uma decisão simples, sem o desgaste de comparar cinco alternativas parecidas. Isso explica por que candidatos avançados costumam terminar provas da Cebraspe com tempo de sobra, segundo relatos reunidos no artigo sobre como calcular a nota e marcar com estratégia na Cebraspe do Portal Concursos.

Na múltipla escolha, mesmo dominando o conteúdo, o candidato ainda precisa lidar com alternativas elaboradas para parecerem corretas, o que consome tempo e atenção mesmo de quem sabe a matéria. Esse desgaste extra é um dos motivos pelos quais bancas como a FGV têm fama de prova cansativa mesmo, apesar de não descontar pontos por erro.

Como mudar de estratégia ao trocar de formato de prova?

Primeiro: ao estudar para uma banca de certo ou errado, treine a decisão binária isoladamente, sem olhar múltiplas opções, para acostumar o cérebro a confirmar ou refutar uma afirmação fechada.

Segundo: ao estudar para uma banca de múltipla escolha, treine a eliminação de alternativas por etapas, descartando primeiro as opções fora do tema e só depois comparando as que restam com atenção aos detalhes.

Terceiro: se você vai prestar concursos com os dois formatos no mesmo período, separe os simulados por banca e nunca misture os dois estilos no mesmo bloco de revisão, porque o hábito de uma regra de pontuação pode te fazer errar a estratégia na outra. Veja como montar esse tipo de rotina no artigo banco de questões para concurso: como usar bem do Portal Concursos.

Quarto: nos últimos dias antes da prova, faça pelo menos um simulado completo no formato exato da sua banca, cronometrado e nas mesmas condições do dia da prova, para a estratégia de marcação virar automática antes da hora real. Reaproveite provas antigas sempre que possível, seguindo as ressalvas do artigo provas antigas de concurso: quando a questão já não serve do Portal Concursos.

Quais são os erros comuns de quem troca de formato sem perceber?

  • Levar para a prova certo ou errado o hábito de sempre marcar algo, típico de quem só treinou múltipla escolha, o que aumenta o risco de perder pontos por chute sem critério.
  • Levar para a múltipla escolha o hábito de deixar em branco sob qualquer dúvida, típico de quem só treinou certo ou errado, perdendo chances de acerto por eliminação que não custariam nada.
  • Não confirmar no edital se a banca aplica desconto por erro também na múltipla escolha, o que acontece em parte dos concursos organizados por algumas bancas específicas.
  • Resolver questões comentadas de uma banca estudando pelo gabarito de outra banca, misturando estilos de pegadinha diferentes na mesma sessão de revisão, em vez de separar o material como recomenda o artigo banca examinadora: o que ela decide e como estudar pelo estilo dela do Portal Concursos.
  • Deixar para treinar a estratégia de marcação só na última semana, quando o ajuste de comportamento já exige mais tempo de prática do que resta no calendário.

Resumo comparativo dos dois formatos.

Situação.Certo ou errado.Múltipla escolha.
Chute sem critério.Arriscado, pode custar pontos.Seguro na maioria dos editais.
Domínio parcial do conteúdo.Favorece deixar em branco.Favorece eliminação de alternativas.
Domínio total do conteúdo.Mais rápido de responder.Exige mais tempo de comparação.
Banca mais associada.Cebraspe.FGV, FCC, Cesgranrio, Vunesp, IBFC e Quadrix.

Perguntas frequentes:

Vale a pena chutar na prova certo ou errado?

Só quando a confiança na resposta passa de 70%, porque o erro tira o ponto que você já tinha garantido em outra questão. Com dúvida real, deixar em branco costuma ser mais seguro.

Vale a pena chutar na prova de múltipla escolha?

Na maioria dos editais, sim, porque não há desconto por erro. Vale sempre confirmar essa regra no edital específico do seu concurso antes de adotar essa estratégia.

Todas as bancas de múltipla escolha deixam de descontar o erro?

Não. Algumas bancas aplicam desconto também na múltipla escolha em editais específicos, então a confirmação no edital é sempre o passo mais importante antes da prova.

Qual formato é mais difícil, certo ou errado ou múltipla escolha?

Depende do seu perfil. Quem hesita demais tende a sofrer mais no certo ou errado, e quem se cansa comparando alternativas tende a sofrer mais na múltipla escolha.

Como saber qual formato a banca do meu concurso vai usar?

O edital do concurso sempre informa o formato da prova objetiva e a regra de pontuação adotada, incluindo se existe desconto por erro, antes mesmo de a banca divulgar o conteúdo programático completo.

Treine no formato exato da sua banca antes do dia da prova.

Saber a matéria não é a mesma coisa que saber marcar a resposta do jeito certo para a banca do seu concurso, e essa diferença decide quem sobra na nota de corte. Os cursos do Portal Concursos trazem simulados separados por formato de prova, com banco de questões comentadas e orientação sobre a estratégia de marcação ideal para cada banca organizadora. Conheça o curso para o seu concurso e chegue treinado para o formato exato que vai encontrar na sala de prova.

Assinatura PortalAssine o Portal e estude para qualquer concursoTodos os cursos, simulados e o banco de questões em um único plano.
Ver planos→
Compartilhar:

Comentários

Carregando comentários…

Pular para o conteúdo principal