Cebraspe x FGV: qual banca é mais difícil para concurso?

Cebraspe x FGV: qual banca é mais difícil para concurso?
Luan Loureiro
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 14/10 às 21h

Uma questão de Direito Administrativo vale o mesmo ponto em qualquer banca, mas o jeito de perder esse ponto muda completamente de uma organizadora para outra. Na Cebraspe, marcar errado tira o ponto que você já tinha ganhado em outra questão. Na FGV, o erro simplesmente não soma nada, sem tirar o que já está garantido.

Essa diferença de regra muda a estratégia de prova inteira: na Cebraspe, o candidato aprovado é o que sabe quando deixar em branco; na FGV, o candidato aprovado é o que arrisca o chute, porque não existe desconto pela resposta errada. Não há uma banca oficialmente mais difícil em abstrato, mas a dificuldade percebida muda de acordo com o seu perfil de estudo e o seu domínio do conteúdo.

Comparativo de pontuação entre a banca Cebraspe e a banca FGV em concursos públicos.
Cebraspe desconta ponto por erro; FGV não desconta nada na múltipla escolha.

Neste guia você vai encontrar:

Quem são a Cebraspe e a FGV?

A Cebraspe (Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção de Candidatos) é a banca que organiza os concursos mais concorridos do país, como Polícia Federal, Receita Federal e Câmara dos Deputados. Ela nasceu da estrutura que antes se chamava Cespe, dentro da Universidade de Brasília, e hoje funciona como entidade independente especializada só em seleção de pessoas.

A FGV (Fundação Getúlio Vargas), por outro lado, é uma instituição de ensino e pesquisa com décadas de tradição em Economia, Direito e Administração, que também organiza concursos através da FGV Conhecimento. Ela costuma assumir provas de carreiras de Estado, tribunais e bancos públicos, como as de Auditor Fiscal e de analista do Banco Central.

As duas têm reputação de prova técnica e bem elaborada, mas a experiência de fazer uma prova da Cebraspe é bem diferente de encarar uma prova da FGV logo, a começar pelo formato da folha de respostas.

Como é o modelo de prova de cada banca?

O primeiro ponto de comparação é o formato da prova objetiva, porque ele muda a lógica de tempo e de marcação dentro da sala.

Critério.Cebraspe.FGV.
Formato da questão.Certo ou errado, afirmativa única.Múltipla escolha, geralmente 5 alternativas.
Desconto por erro.Sim, uma errada anula uma certa.Não há desconto por erro.
Tempo médio por questão.Cerca de 2 a 3 minutos.Cerca de 3 a 4 minutos.
Quantidade usual de itens.60 a 120 itens certo ou errado.50 a 100 questões de múltipla escolha.
Prova discursiva.Depende do edital, costuma ter peso alto.Frequente em carreiras de Estado, com correção rigorosa.

Esse tempo médio mais curto da Cebraspe não é por acaso: com menos alternativas para analisar, o candidato bem preparado consegue decidir rápido se a afirmação é certa ou errada, desde que conheça bem o assunto.

Como a Cebraspe pontua a prova de certo ou errado?

Na Cebraspe, cada item vale um ponto. Quando você marca certo em uma afirmação verdadeira, ganha o ponto. Quando marca certo em uma afirmação falsa, ou errado em uma afirmação verdadeira, perde um ponto. Essa é a regra popularmente chamada de "uma errada anula uma certa", e ela transforma o chute em uma aposta real, não em um ganho garantido.

Por isso, a estratégia de marcação pesa tanto quanto o conteúdo. Deixar em branco vale zero, nem soma nem subtrai, e costuma ser a escolha certa quando a dúvida é grande e o assunto é pouco treinado. Já quando a certeza passa de 70%, arriscar tende a valer a pena no total da prova. Você encontra esse cálculo completo no guia sobre como calcular a nota e marcar com estratégia na Cebraspe no Portal Concursos.

Quando a prova também tem redação ou peça discursiva, a Cebraspe costuma seguir critérios fechados de correção, com nota mínima isolada por bloco. Veja a fórmula completa no artigo redação Cebraspe: critérios de correção e fórmula do Portal Concursos.

Como a FGV pontua a prova de múltipla escolha?

Na FGV, cada questão de múltipla escolha também vale um ponto, mas sem o desconto da Cebraspe. Você marca a alternativa, acerta ou erra, e o erro simplesmente não soma pontos, sem retirar nada do que já foi conquistado nas demais questões.

Isso retira o medo do chute e muda o comportamento dentro da prova: o candidato da FGV pode eliminar alternativas claramente erradas e arriscar entre as que restam, sem risco de ficar devendo pontos. A desvantagem é que, sem esse filtro de desconto, a banca costuma compensar elevando a nota de corte e cobrando questões com alternativas bem próximas entre si, para dificultar a eliminação.

Na prova discursiva, a FGV também é conhecida por cortar pontos de quem escreve fora do tema pedido ou ignora um comando específico da questão. Veja o detalhamento no artigo redação FGV: como é corrigida e o que tira ponto do Portal Concursos.

Qual é o estilo de questão de cada banca?

A Cebraspe constrói a maioria das suas afirmações juntando duas ou três informações corretas e inserindo um detalhe sutilmente errado no meio do texto, geralmente um prazo, uma competência ou uma palavra que inverte o sentido da frase. Exemplo de pegadinha típica: o enunciado afirma que o servidor em estágio probatório pode ser demitido sem direito a processo administrativo disciplinar. A frase mistura dois institutos diferentes, demissão e exoneração, e por isso está errada.

A FGV, por sua vez, costuma elaborar alternativas todas plausíveis à primeira vista, exigindo que o candidato compare cada uma com atenção antes de eliminar. Em vez de uma pegadinha isolada, o desafio da FGV é a quantidade de nuances espalhadas entre as cinco opções, que normalmente trazem conceitos corretos aplicados ao contexto errado da pergunta.

Esse contraste de estilo aparece com força nas provas de Direito e de Português, onde cada banca tem um jeito próprio de cobrar a mesma regra. Você vê exemplos práticos em diferença entre habeas corpus e mandado de segurança e em classes de palavras e como a banca cobra no Portal Concursos, dois exemplos que ajudam a enxergar a diferença na prática.

Cebraspe ou FGV: qual é mais difícil na prática?

Não existe veredito único, porque a dificuldade depende do seu ponto fraco. Se você hesita demais na hora de decidir entre certo e errado, a Cebraspe tende a pesar mais, porque cada hesitação é convertida direto em risco de perder ponto. Se, por outro lado, você tem dificuldade para comparar alternativas parecidas e perde tempo eliminando opções, a FGV tende a cansar mais.

Em profundidade de conteúdo, as duas bancas são consideradas de alto nível técnico, exigindo leitura de lei seca, jurisprudência e doutrina. A diferença está na forma de cobrar esse conteúdo: a Cebraspe testa se você sabe apontar o erro escondido numa frase fechada; a FGV testa se você sabe comparar nuances entre frases abertas.

Quem já estudou para concursos das duas bancas costuma dizer que a Cebraspe cansa mais a atenção e a FGV cansa mais a leitura. Nenhuma das duas é mais fácil de passar, cada uma exige um tipo de preparo diferente, por isso vale revisar as provas anteriores específicas de cada uma antes de decidir onde concentrar o seu tempo de estudo. Veja como fazer esse levantamento no artigo provas antigas de concurso: quando a questão já não serve do Portal Concursos.

Como a Cebraspe e a FGV cobram Português e Direito?

Em Português, a Cebraspe cobra interpretação de texto dentro da própria afirmação certo ou errado, misturando gramática com compreensão de sentido na mesma frase. Já a FGV separa mais claramente os blocos: um trecho de interpretação de texto corrido, seguido de questões específicas de gramática em formato de múltipla escolha.

Em Direito, a Cebraspe prefere situações hipotéticas curtas, com um fato e uma consequência jurídica a confirmar ou negar. A FGV tende a usar enunciados mais longos, citando artigos de lei quase na íntegra e pedindo a identificação da alternativa que resume corretamente o dispositivo.

Essa diferença de abordagem explica por que um candidato pode se sentir seguro em uma banca e perdido na outra, mesmo estudando o mesmo edital de conteúdo. Treinar com o estilo certo de cada banca reduz boa parte dessa insegurança.

Como treinar para cada uma das duas bancas?

Primeiro passo: localize as provas anteriores específicas da banca do seu concurso e resolva pelo menos duas delas cronometradas, sem consulta, simulando a sala de prova real. Isso vale tanto para quem vai enfrentar a Cesgranrio quanto para quem vai enfrentar a Vunesp ou qualquer outra organizadora.

Segundo passo: para a Cebraspe, treine especificamente a decisão entre certo e errado sem olhar o gabarito até terminar o bloco inteiro, para simular a pressão real de marcar sem desconto imediato. Para a FGV, treine eliminação de alternativas em tempo cronometrado, descartando primeiro as opções claramente fora do tema.

Terceiro passo: monte um banco próprio de questões já resolvidas e volte a elas depois de duas ou três semanas, prestando atenção ao padrão de erro que se repete. Esse exercício funciona bem com a técnica Feynman aplicada ao concurso explicada no Portal Concursos, que consiste em explicar em voz alta por que cada alternativa errada está errada.

Quarto passo: reserve um dia por semana só para revisar o estilo da banca, não o conteúdo da matéria. Isso significa reler enunciados antigos e observar como a banca costuma esconder o erro, mais do que repassar a teoria pela enésima vez. Entenda melhor essa lógica no artigo banca examinadora: o que ela decide e como estudar pelo estilo dela do Portal Concursos.

Quinto passo: organize um banco de questões comentadas separado por banca, porque misturar o estilo da Cebraspe com o da FGV no mesmo bloco de revisão tende a confundir o candidato na hora de decidir entre marcar e deixar em branco. Veja como montar esse banco no artigo banco de questões para concurso: como usar bem do Portal Concursos.

Resumo: Cebraspe x FGV em números.

Item.Cebraspe.FGV.
Formato.Certo ou errado.Múltipla escolha.
Erro penaliza?Sim.Não.
Ponto fraco que mais pesa.Hesitação na decisão.Comparação entre alternativas.
Estilo de pegadinha.Detalhe errado escondido na afirmação.Alternativas plausíveis com nuance errada.
Onde treinar.Provas anteriores Cebraspe cronometradas.Simulados FGV com eliminação de alternativas.

Perguntas frequentes:

A Cebraspe é mais difícil que a FGV?

Não existe uma resposta única. A Cebraspe costuma pesar mais para quem hesita na hora de decidir entre certo e errado, enquanto a FGV costuma pesar mais para quem tem dificuldade em comparar alternativas parecidas de múltipla escolha.

Vale a pena chutar na prova da Cebraspe?

Só quando a confiança na resposta é alta, porque o erro tira o ponto que você já tinha garantido em outra questão. Com dúvida real, deixar em branco costuma ser a escolha mais segura.

Vale a pena chutar na prova da FGV?

Sim, porque não existe desconto por resposta errada na múltipla escolha. Depois de eliminar as alternativas claramente erradas, arriscar entre as que restam é sempre uma decisão racional.

Quais concursos a Cebraspe costuma organizar?

A Cebraspe organiza concursos de carreiras federais de grande volume de vagas, como Polícia Federal, Receita Federal, tribunais superiores e a Câmara dos Deputados, além de diversos certames estaduais e municipais.

Quais concursos a FGV costuma organizar?

A FGV costuma assumir carreiras de Estado ligadas a Economia, Direito e fiscalização, como Auditor Fiscal, analista de tribunais e cargos de bancos públicos, muitas vezes com prova discursiva de peso elevado.

Prepare-se para a banca certa com quem conhece cada uma delas.

Conhecer a regra de pontuação antes da prova é o que separa quem estuda no escuro de quem estuda com estratégia, e essa diferença vale pontos reais na hora da marcação. Os cursos do Portal Concursos trazem aulas específicas por banca organizadora, com simulados que seguem o formato exato da Cebraspe ou da FGV, e banco de questões comentadas separado por estilo de prova. Conheça o curso para o seu concurso e treine no formato que você vai encontrar no dia da prova.

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