Questão
ID 991242Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Inferência Textual
Ano: 2007 Banca: AEDB - Associação Educacional Dom Bosco Órgão: Prefeitura Municipal de Itatiaia
Singularidade Docente
Há casos de professores que parecem vir à aula
como se estivessem prestes a enfrentar um inimigo.
__Trata-se de uma obviedade gigantesca escrever
que a universidade é um espaço consagrado ao
conhecimento. Mas não é tão óbvio afirmar que, em se
tratando de conhecimento oriundo da interação que se
estabelece entre professor e aluno, não existe muita
coisa a que se pode dar o nome de conhecimento.
__De maneira geral, as interações entre professor e
aluno ocorrem, no espaço acadêmico, sob uma
temperatura próxima a zero, de uma frieza infernal.
Porque muitos mestres não têm a sensibilidade de
tratar o aluno como ele deve ser realmente tratado:
não como alguém portador de um registro acadêmico
número 000, mas como uma pessoa especial, singular,
que merece toda a atenção do mundo, mesmo que o
mestre faça parte da constelação (aquela espécie de
professores arrogantes, idiotas, que se consideram
acima dos demais ou aqueles que se acham, no dizer
de uma aluna, “a última bolacha do pacote”).
__Quantos professores pecam por menosprezar ou
ridicularizar uma pergunta feita em aula para
praticamente humilhar o aluno diante de seus colegas?
O que o professor deseja alcançar com isso? Como
pode haver comunicação se entre professor e aluno
começa a ser erguido um muro quase intransponível, o
da prepotência acadêmico-profissional?
__Títulos de mestre e de doutor não conferem ao
indivíduo a sapiência de tornar-se um profissional
humano, que acolhe de igual para igual não só seus
alunos, mas seus pares (é engraçado observar que há
professores que, embora lotados no mesmo
departamento, sequer cumprimentam os colegas).
Antes de o indivíduo abraçar a carreira, qualquer que
seja sua titulação, ele precisa tornar-se um indivíduo
humano, em toda a sua plenitude, que esteja
exercendo a função de professor para expandir essa
sua individualidade humana, partilhando com seus
alunos conhecimentos que considera fundamentais
para a vida.
__Quantos professores tivemos ao longo de nosso
percurso escolar, que podemos chamar de professores,
não só pelo domínio teórico que apresentavam, mas
sobretudo pelo humano que havia neles?
__Mesmo com o avanço das teorias didático
pedagógicas, ainda grassa no espaço acadêmico o
velho paradigma educacional relativo à mantença de
uma situação não de interação, mas de poder.
__Há casos de professores que parecem vir à aula
como se estivessem prestes a enfrentar um inimigo.
Será que o professor vai ter sua “dignidade” arranhada
caso se aproxime do aluno?
Na maioria das vezes, a animosidade acaba sendo
construída inconscientemente pelo mestre, pela forma de
conduzir uma classe como se esta fosse exatamente uma...
classe. Por que não começar a enxergar que na classe
existem pessoas, pessoas totalmente diferentes, que têm
uma experiência de vida espetacular, que são singulares?
__Impossível? Utópico? Por que será que precisamos
manter o espaço acadêmico, a aula, como algo desolador,
como algo que é da forma que é porque sempre foi assim?
__Precisamos nos constituir como professores humanos,
como indivíduos que, numa interação, com base na qual se
originam sentimentos de afeição, doação e solidariedade,
conseguem transcender os próprios limites dessa interação.
Sérgio Simka. Ensino Superior. Abril 2004. Pág 50
"Trata-se de uma obviedade gigantesca escrever que a universidade é um espaço consagrado ao conhecimento. Mas não é tão óbvio afirmar que, em se tratando de conhecimento oriundo da interação que se estabelece entre professor e aluno, não existe muita coisa a que se pode dar o nome de conhecimento." Pode-se concluir que a adversidade existe porque na segunda frase afirma-se: