Questão 989900

Língua Portuguesa · 2006

Questão

ID 989900

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: A Leitura do Texto Escrito

Ano: 2006 Banca: UNAMA - Universidade da Amazônia Órgão: Prefeitura Municipal de Itaituba


LEIA OS TEXTOS A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 31 A 38.

A ESCOLHA DAS PALAVRAS

A eficiência de uma comunicação lingüística depende, em última análise, da escolha adequada das palavras, e a arte de bem falar e escrever é chamada, com razão, a arte da palavra.

Essa escolha é, em regra, muito mais delicada e menos simples do que à primeira vista poderia parecer.

O sentido de uma palavra não é essencialmente uno nitidamente delimitado e rigorosa-mente privativo dela, à maneira de um símbolo matemático.

Há uma complexidade imanente, que se apresenta sob diversos aspectos.

(...)

Em matéria de sinonímia, é preciso, antes de tudo, ressalvar que não há a rigor o que muitas gramáticas chamam de sinônimos perfeitos: eles só existem como tais nas listas dessas gramáticas. Todos decorrem das significações diversas que adquire uma mesma coisa, de acordo com os diversos interesses que têm para nós.

(...)

(CÂMARA JR., J.M.Manual de expressão oral e escrita. Rio de Janeiro: J.Ozon, 1961.)

Procura da Poesia

Não faças versos sobre acontecimentos.

Não há criação nem morte perante a poesia.

Diante dela, a vida é um sol estático,

não aquece nem ilumina.

As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.

Não faças poesia com o corpo,

esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro

são indiferentes.

Não me reveles teus sentimentos,

que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.

O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.

(...)

Penetra surdamente no reino das palavras.

Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

Estão paralisados, mas não há desespero,

há calma e frescura na superfície intacta

Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.

Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.

Espera que cada um se realize e consume

Com teu poder de palavra

E seu poder de silêncio.

(...)

Chega mais perto e contempla as palavras.

Cada uma

Tem mil faces secretas sob a face neutra

E te pergunta, sem interesse pela resposta,

Pobre ou terrível que lhes deres:

Trouxeste a chave?

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião:

19 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1987.)



Procura da Poesia é um dos textos de abertura do livro A rosa do povo, que reúne poemas escritos entre 1943 e 1945 por Carlos Drummond de Drummond. Procura de Poesia poderia ser o tema de uma aula. Uma aula de poesia. A respeito disso, junto a seus alunos, o professor faria a leitura do poema. A leitura adequada permitiria:

1- interpretar que Drummond faz profundas reflexões sobre o "fazer poético", ou seja, sobre a arte e utilidade da poesia, sobre o trabalho do artista literário e sua função social.

2- observar que a estrutura do poema apresenta um falante que se dirige, em tom professoral, próprio de quem já refletiu muito sobre o assunto, a um hipotético interlocutor, que escreve (ou pretende escrever) poesia sem refletir sobre o "fazer poético".

3- atentar para o fato de que o falante se dirige ao interlocutor sempre empregando verbos no imperativo, na segunda pessoa do singular ("não faças", "não cantes", "penetra", "convive", "espera", "não forces", "não colhas", "não adules", "repara"). E que o interlocutor, no entanto, não tem voz, não contra-argumenta nem aceita. Apenas ouve!

4- dividir, para fins didáticos, o poema em duas partes e observar que a primeira, marcada pelos imperativos negativos, representa tudo aquilo que não deve ser feito por quem pretende escrever poesia; a segunda, marcada pelos imperativos afirmativos, realça o trabalho com a matéria-prima do poeta: a palavra.

A afirmação correta está em:

Alternativas da questão 989900
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