Questão
ID 973126Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Pressupostos e Subentendidos
Ano: 2018 Banca: IMPARH - Instituto Municipal de Desenvolvimento de Recursos Humanos Órgão: Prefeitura Municipal de Fortaleza
A honra passada a limpo
01 Sou compulsiva, eu sei. Limpeza e arrumação.
02 Todos os dias boto a mesa, tiro a mesa. Café, almoço, jantar. E pilhas de louças na pia, e espumas
03 redentoras.
04 Todos os dias entro nos quartos, desfaço camas, desarrumo berços, lençóis ao alto como vela. Para
05 tudo arrumar depois, alisando colchas de crochê.
06 Sou caprichosa, eu sei. Desce o pó sobre os móveis. Que eu colho na flanela. Escurecem-se as
07 pratas. Que eu esfrego com a camurça. A aranha tece. Que eu enxoto. A traça rói. Que eu esmago. O cupim
08 voa. Que eu afogo na água da tigela sob a luz. 09 E de vassoura em punho gasto tapetes persas.
10 Sou perseverante, eu sei. À mesa que ponho ninguém senta. Nas camas que arrumo ninguém
11 dorme. Não há ninguém nesta casa, vazia há tanto tempo.
12 Mas sem tarefas domésticas, como preencher de feminina honradez a minha vida?
COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgado. Rio de Janeiro: Rocco, 1986, p. 187.
O uso da expressão constante do título “a limpo” estabelece um paralelo com o teor do texto propriamente dito, porque: