Questão
ID 940738Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Pressupostos e Subentendidos
Ano: 2006 Banca: IPAD - Instituto de Planejamento e Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico e Científico Órgão: Prefeitura Municipal de Buíque
TEXTO 6
A atividade de leitura completa a atividade da produção escrita. É, por isso, uma atividade de interação entre sujeitos e supõe muito mais que a simples decodificação dos sinais gráficos. O leitor, como um dos sujeitos da interação, atua participativamente, buscando recuperar, buscando interpretar e compreender o conteúdo e as intenções pretendidas pelo autor.
Nessa busca interpretativa, os elementos gráficos (as palavras, os sinais, as notações) funcionam como verdadeiras “instruções” do autor, que não podem ser desprezadas, para que o leitor descubra significações, elabore suas hipóteses, tire suas conclusões. Palavrinhas que poderiam parecer menos importantes, como até, ainda, já, apenas, e tantas outras, são pistas significativas em que devemos nos apoiar para fazer nossos cálculos interpretativos. Todo esforço para entender essas instruções – isto é, o que está sobre a folha do papel – só se justifica pelo que elas, as instruções, representam para a compreensão global do ato comunicativo do qual o texto é suporte.
Evidentemente, tais instruções “sobre a folha do papel” não representam tudo o que a gente precisa saber para entender o texto. Muito, mas muito mesmo, do que se consegue apreender do texto faz parte de nosso “conhecimento prévio”, ou seja, é anterior ao que lá está. Um texto seria inviável se tudo tivesse que estar explicitamente presente, explicitamente posto. O que é pressuposto como já sabido, o que é presumível a partir do conhecimento que temos acerca de como as coisas estão organizadas, naturalmente, já não precisa ser dito. Com base neste princípio é que van Dijk (1984) diz que os textos são inevitavelmente incompletos e que um texto hipercompleto seria incoerente, além de comunicativamente inadequado.
ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola, 2003, p.67. Excerto.
"Evidentemente, tais instruções "sobre a folha do papel" não representam tudo o que a gente precisa saber para entender o texto." Segundo a autora do Texto 6, é(são) essencial(is) para a compreensão de um texto: