Questão
ID 939965Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Uso de Sinônimos
Ano: 2012 Banca: FADESP - Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa Órgão: Prefeitura Municipal de Breves
Mortalidade renitente
Hélio Schwartsman
- Um bom jeito de conhecer um país é olhar para a forma como morrem suas
- crianças.
- Os dados do registro civil de 2010, recém-divulgados pelo IBGE, revelam
- bastante sobre o Brasil ao destrinchar as componentes temporais da mortalidade
- infantil, isto é, a proporção de óbitos que ocorre logo após o nascimento (entre zero e
- seis dias), no primeiro mês (de 7 a 27 dias) e no primeiro ano (de 28 a 364 dias).
- O Brasil fez importantes progressos nessa área. A taxa nacional de mortes de
- bebês despencou de 69 por mil em 1980 para 22 por mil em 2010: uma queda de 68%
- em 30 anos.
- Essa, contudo, foi a parte fácil. Quando se parte de índices altos, é possível
- obter melhoras significativas com iniciativas simples e que atinjam grandes
- contingentes, como oferecer água tratada e vacinas e fazer campanhas pelo aleitamento
- materno exclusivo. Essas medidas são eficazes para evitar doenças infecciosas, em
- especial diarreias, que causam baixas principalmente entre bebês com mais de um mês.
- Esses óbitos tardios ainda representam 32% das mortes no país.
- À medida, porém, que a situação evolui, fica mais difícil avançar com rapidez.
- Para fazê-lo, seria necessário reduzir as mortes precoces, que são geralmente
- provocadas por problemas no parto e anomalias congênitas. Evitá-las depende de ações
- individualizadas, que não raro exigem emprego de especialistas em unidades de terapia
- intensiva.
- Em países desenvolvidos, 90% dos óbitos infantis ocorrem entre o nascimento e
- o sexto dia. No Brasil, a proporção é de apenas 52%.
- O que chama a atenção nas estatísticas é que, mesmo nos Estados que mais
- reduziram a mortalidade infantil, como São Paulo, os óbitos tardios não dão sinais de
- arrefecer, permanecendo no patamar dos 30% desde o início da década. Isso significa
- que até nas unidades mais ricas há significativos bolsões de pobreza aos quais o Estado
- não chega.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/13404-mortalidade-renitente.shtml
No enunciado “‘Isso significa que até nas unidades mais ricas” (linhas 25- 26), a expressão sublinhada poderia ser substituída, sem alteração de sentido, por