Questão 932635

Língua Portuguesa · 2011

Questão

ID 932635

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Inferência Textual

Ano: 2011 Banca: FUMARC - Fundação Mariana Resende Costa Órgão: Prefeitura Municipal de Belo Horizonte


O texto abaixo transcrito, de Paulo Leminski, servirá de base para as questões de número 11 a 16.

O assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito

inexistente.

Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,

regular como um paradigma da 1ª conjunção.

Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,

ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito

assindético de nos torturar com um aposto.

Casou com uma regência.

Foi infeliz.

Era possessivo como um pronome.

E ela era bitransitiva.

Tentou ir para os EUA.

Não deu.

Acharam um artigo indefinido na sua bagagem.

A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,

conectivos e agentes da passiva o tempo todo.

Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.



Sabemos que O assassino era o escriba é um poema por sua própria organização gráfica: diferentemente de um texto em prosa, há versos, caracterizados pela descontinuidade das linhas. Por outro lado, uma história é contada e envolve suspense e mistério típicos de uma narrativa policial. O poeta cria um narrador em primeira pessoa (o aluno/aprendiz) que descreve, nos sete primeiros versos, um sujeito (o professor/torturador). Do oitavo ao décimo sexto verso, o narrador resume os fracassos desse sujeito. Do ponto de vista de tais reflexões e da releitura do poema, considera-se que

I. o aluno/personagem revela-se como o escriba do título, isto é, o agente que, apesar de torturado pelo professor, domina a sintaxe e é capaz de manejá-la com destreza e criatividade.

II. o professor/personagem é apresentado como um profissional reflexivo, que compreende o ensino da língua portuguesa como algo bem próximo do português que se usa no dia a dia.

III. o professor, na perspectiva do aluno, é visto positivamente como um profissional preocupado com o ensino da teoria gramatical, pois oferece a esse aluno a meta-língua, em forma de conceitos, regras, exceções.

IV. o último verso, uma espécie de flash, esclarece o epílogo da história de suspense, a partir da recomposição do desenlace: o assassino é o aluno, o assassinado é o professor, a arma do crime é um “objeto direto” e o motivo está mais que justificado: a morte da escrita dura e formal.

Está CORRETO o que se afirma APENAS em:

Alternativas da questão 932635
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