Questão
ID 932618Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Assíndeto
Ano: 2011 Banca: FUMARC - Fundação Mariana Resende Costa Órgão: Prefeitura Municipal de Belo Horizonte
O texto abaixo transcrito, de Paulo Leminski, servirá de base para as questões de número 11 a 16.
O assassino era o escriba
Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito
inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjunção.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
Considere as seguintes afirmações sobre o poema:
I. O poeta concretiza sua visão não apenas da sintaxe – tema central do texto –, mas especialmente de seu ensino, explorando de forma ambígua um imaginário em que a nomenclatura se apresenta como o motivo de tortura e, curiosamente, de subversão e criatividade.
II. O humor valorizado nos versos vem da organização léxico-sintática e explora, ironicamente, o uso de novos termos e suas possibilidades de uso, o que configura um empobrecimento vernáculo, com demérito para a identidade da língua portuguesa.
III. O poema, em lugar de ser um manifesto contra a sintaxe, pode ser visto como uma homenagem à língua, à sua riqueza, à possibilidade de dar movimento a termos cristalizados em situações e contextos diferentes do da gramática tradicional.
IV. Termos característicos do registro da análise sintática estão articulados de maneira nova, inesperada e ambígua, para qualificar o modo de ser e as ações do professor/personagem, exemplificadas de forma divertida em expressões como “sujeito inexistente”, “possessivo como um pronome”, “artigo indefinido”, o que caracteriza um poderoso recurso de mobilização do léxico, a partir de novas possibilidades sintáticas.
É CORRETO APENAS o que se afirma em: