Questão 863447

Língua Portuguesa · 2008

Questão

ID 863447

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Inferência Textual

Ano: 2008 Banca: Fundação CESGRANRIO Órgão: Petróleo Brasileiro S.A.


TEMPO DE ESCOLHER

“Um homem não é grande pelo que faz, mas pelo que renuncia.”

(Albert Schweitzer)

Muitos amigos leitores têm solicitado minha

opinião acerca de qual rumo dar às suas carreiras.

Alguns apreciam seu trabalho, mas não a empresa onde

estão. Outros admiram a estabilidade conquistada, mas

5 não têm qualquer prazer no exercício de suas funções.

Uns recebem propostas para mudar de emprego,

financeiramente desfavoráveis, porém, desafiadoras.

Outros têm diante de si um vasto leque de opções, muitas

coisas para fazer, mas não conseguem abraçar tudo.

10 Todas estas pessoas têm algo em comum: a

necessidade premente de fazer escolhas. Lembro-me de

Clarice Lispector: “Entre o ‘sim’ e o ‘não’, só existe um

caminho: escolher.”

Acredito que quase todas as pessoas passam ao

15 longo de sua trajetória pelo “dilema da virada”. Um

momento especial em que uma decisão clara, específica

e irrevogável tem que ser tomada simplesmente porque a

vida não pode continuar como está. Algumas pessoas

passam por isso aos 15 anos, outras, aos 50. Algumas

20 talvez nunca tomem esta decisão, e outras o façam

várias vezes no decorrer de sua existência.

Fazer escolhas implica renunciar a alguns

desejos para viabilizar outros. Você troca segurança por

desafio, dinheiro por satisfação, o pouco certo pelo muito

25 duvidoso. Assim, uma companhia que oferece estabili-

dade com apatia pode dar lugar a outra dotada de instabi-

lidade com ousadia. Analogamente, a aventura de uma

vida de solteiro pode ceder espaço ao conforto de um

casamento.

30 PRAZER E VOCAÇÃO

Os anos ensinaram-me algumas lições. A primeira

delas vem de Leonardo da Vinci, que dizia que “A sabe-

doria da vida não está em fazer aquilo que se gosta, mas

em gostar daquilo que se faz”. Sempre imaginei que fosse

35 o contrário, porém, refletindo, passei a compreender que

quando estimamos aquilo que fazemos, podemos nos

sentir completos, satisfeitos e plenos, ao passo que se

apenas procurarmos fazer o que gostamos, estaremos

sempre numa busca insaciável, porque o que gostamos

40 hoje não será o mesmo que prezaremos amanhã.

Todavia, é indiscutivelmente importante aliar

prazer às nossas aptidões; encontrar o talento que

reside dentro de cada um de nós, ao que chamamos de

vocação. Oriunda do latim vocatione e traduzida

45 literalmente por “chamado”, simboliza uma espécie de

predestinação imanente a cada pessoa, algo revestido

de certa magia e divindade.(...)

Escolhas são feitas com base em nossas prefe-

rências. E aí recorro novamente à etimologia das pala-

50 vras para descobrir que o verbo preferir vem do latim

praeferere e significa “levar à frente”. Parece-me uma

indicação clara de que nossas escolhas devem ser

feitas com os olhos no futuro, no uso de nosso livre arbítrio.

O mundo corporativo nos guarda muitas armadi-

55 lhas. Trocar de empresa ou de atribuição, por exemplo,

são convites permanentes. O problema de recusá-los é

passar o resto da vida se perguntando “O que teria

acontecido se eu tivesse aceitado?”. Prefiro não carregar

comigo o benefício desta dúvida, por isso opto por assumir

60 riscos evidentemente calculados e seguir adiante. Dizem

que somos livres para escolher, porém, prisioneiros das

conseqüências...

Para aqueles insatisfeitos com seu ambiente

de trabalho, uma alternativa à mudança de empresa é

65 postular a melhoria do ambiente interno atual. Dialogar e

apresentar propostas são um bom caminho. De nada

adianta assumir uma postura meramente defensiva e

crítica. Lembre-se de que as pessoas não estão contra

você, mas a favor delas.

70 Por fim, combata a mediocridade em todas as suas

vertentes. A mediocridade de trabalhos desconectados

com sua vocação, de empresas que não valorizam funcio-

nários, de relacionamentos falidos. Sob este aspecto,

como diria Tolstoi, “Não se pode ser bom pela metade”.

75 Meias-palavras, meias-verdades, meias-mentiras, meio

caminho para o fim.

Os gregos não escreviam obituários. Quando um

homem morria, faziam uma pergunta: “Ele viveu com

paixão?”.

80 QUAL SERIA A RESPOSTA PARA VOCÊ?

COELHO, Tom. Disponível em: <http://www.catho.com.br/jcs/

inputer_view.phtml?id=6415>. Acesso em: 07 mai. 2008.(adaptado)



De acordo com o texto, uma característica apresentada pela vida, que NÃO é justificativa para a necessidade de se fazer escolhas, é

Alternativas da questão 863447
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