Questão 835630

Língua Portuguesa · 2004

Questão

ID 835630

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Relação de Causa e Consequência

Ano: 2004 Banca: CEPS UFPA - Centro de Processos Seletivos da Universidade Federal do Pará Órgão: Ministério Público do Estado do Pará


POBRE PAÍS RICO

Abençoado com 13% de toda a água doce disponível no mundo, teoricamente, o Brasil

não deveria se preocupar com a escassez. Afinal, o país não tem os mesmos problemas dos

árabes e africanos e não vive propriamente em um deserto. Mesmo assim, todo ano os

habitantes da região Nordeste do país olham para o céu rezando para chover e, ultimamente,

5 até moradores de cidades mais acostumadas a enfrentar enchentes, como São Paulo e Rio

de Janeiro, observam preocupados a torneira pingando. Por que um país tão rico em água

fica à mercê da falta dela?

Com a palavra, o geólogo Aldo Rebouças, pesquisador do Instituto de Estudos

Avançados da Universidade de São Paulo. Segundo ele, criou-se uma falsa impressão de que

10 os brasileiros têm água para dar, vender e desperdiçar. “Não é apenas o usuário doméstico

que usa água demais sem necessidade”, observa o geólogo. Indústrias e agricultores não têm

o costume de reciclar a água que usam e as companhias de tratamento e distribuição

governamentais ignoram os quase 70% de água que não chegam às torneiras por causa dos

vazamentos.”

15 É a cultura do desperdício que, somada ao crescimento das populações urbanas,

acabou trazendo ao dia-a-dia do brasileiro um palavrão antes desprezado: racionamento. A

capital pernambucana do Recife já convive com o racionamento há vários anos. Desde 1998,

tanto por causa da precariedade do gerenciamento das redes de abastecimento quanto pela

falta de chuvas na região, seus moradores deixaram de lado os tempos de fartura líquida. A

20 maior metrópole do país, São Paulo, também se acostumou a ver as torneiras secas nos dias

de rodízio.

“Infelizmente, 78% da água do país se concentra na região Norte, a mais desabitada”,

explica Rebouças. Não há escapatória dessa situação. “Sabendo disso, cada cidadão deve

poupar hoje para não ficar sem, obrigatoriamente, amanhã.”

25

( Revista Galileu, junho de 2001, nº 119, p.46)

A ação que resume a idéia exposta no último período do texto é

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