Questão
ID 786669Disciplina: Sociologia (Ciências Sociais)
Assunto: Democracia e Representação Política
Ano: 2013 Banca: CESPE CEBRASPE - Centro de Seleção e de Promoção de Eventos UnB Órgão: Ministério da Justiça e Segurança Pública
Texto para os itens de 1 a 11
1 Marilena Chaui, filósofa brasileira, afirma que, para
a classe dominante brasileira (os “liberais”), democracia é o
regime da lei e da ordem. Para a filósofa, no entanto, a
4 democracia é “o único regime político no qual os conflitos são
considerados o princípio mesmo de seu funcionamento”:
impedir a expressão dos conflitos sociais seria destruir a
7 democracia. O filósofo francês Jacques Rancière critica a ideia
de democracia que tem estruturado nossa vida social — regida
por uma ordem policial, segundo ele —, devido ao fato de ela
10 se distanciar do que seria sua razão de ser: a instituição da
política. Estamos acomodados por acreditar que a política é
isso que está aí: variadas formas de acordo social a partir das
13 disputas entre interesses, resolvidas por um conjunto de ações
e normas institucionais. Essa ideia empobrecida do que seja a
política está, para o autor, mais próxima da ideia de polícia, já
16 que diz respeito ao controle e à vigilância dos comportamentos
humanos e à sua distribuição nas diferentes porções do
território, cumprindo funções consideradas mais ou menos
19 adequadas à ordem vigente. Estamos geralmente tão
hipnotizados pela “necessidade de um compromisso para se
alcançar o bem comum” e pela opinião de que “as instituições
22 sociais já estão fazendo todo o possível para isso”, que não
conseguimos perceber nossa contribuição na legitimação dessa
política policial que administra alguns corpos e torna invisíveis
25 outros.
O conceito de política trabalhado pelo autor traz como
princípio a igualdade. Uma igualdade que não está lá como
28 sonho a ser alcançado um dia, mas que é uma potencialidade
que “só ganha realidade se é atualizada no aqui e agora”. E
essa atualização se dá por ações que irão construir a
31 possibilidade de os “não contados” serem levados em conta,
serem considerados nesse princípio básico e radical de
igualdade. Para além dos movimentos sociais, existem os
34 ainda-sem-nome e ainda-sem-movimento. Diz o autor que a
política é a reivindicação da parte daqueles que não têm parte;
política se faz reivindicando “o que não é nosso” pelo sistema
37 de direitos dominantes, criando, assim, um campo de
contestação. Em uma sociedade em que os que não têm parte
são a maior parte, é preciso fazer política.
Marco Antonio Sampaio Malagodi. Geografias do dissenso: sobre conflitos, justiça ambiental e cartografia social no Brasil. In: Espaço e economia: Revista Brasileira de Geografia Econômica. jan./2012. Internet: <http://espacoeconomia.revues.org/136> (com adaptações).
Com base nas ideias do texto, julgue os itens de 1 a 4.
Os integrantes da sociedade que não são “levados em conta” (l.31) devem ser representados pelos movimentos sociais existentes para que tenham suas necessidades atendidas e, de fato, sejam tratados com igualdade, segundo o filósofo francês.