Questão 744680

Língua Portuguesa · 2010

Questão

ID 744680

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Relação de Causa e Consequência

Ano: 2010 Banca: FDC - Fundação Dom Cintra Órgão: Ministério da Agricultura e Pecuária


Leia o texto abaixo e responda às questões propostas de 11 a 20.

TEXTO 2: A PROVA DE FOGO DA URNA ELETRÔNICA

1 Ao longo de cinco dias, este mês, 26 hackers, consultores e técnicos de informática especializados em segurança puseram a mão na massa, isto é, na urna eletrônica, para verificar se ela é mesmo dura na queda. As eleições presidenciais de 2010 estão logo ali, depois da esquina, e o teste era uma velha reivindicação da comunidade de TI brasileira. DIGITAL conversou com Nelson Murilo Ruffino, consultor de segurança que representou nos testes das urnas o capítulo brasileiro da Information Systems Security Association (ISSA), entidade internacional do setor. Os testes foram realizados no Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília.

2 Segundo Nelson, foi muito boa a impressão que a urna - movida a Linux - deixou durante os testes. Vários tipos de ataques foram tentados no aparelho, mas nenhum funcionou, e todos foram acompanhados de perto por técnicos do TSE.

3 - Eles nos deixaram à vontade; pudemos mexer bem na urna, e os técnicos do TSE que nos acompanharam a toda hora diziam que, se tivéssemos alguma nova ideia sobre métodos de ataque, que os avisássemos, pois ajudariam no que fosse preciso - conta o expert.

4 A verificação feita por Nelson explorou a possibilidade de um eleitor votar em duas seções eleitorais no mesmo pleito. Para isso, era preciso que a mídia que carrega as informações da urna - um flashcard - fosse violada.

5 - Imaginamos um eleitor que fosse votar no lugar de uma pessoa falecida, usando seu título em várias seções, ou mesmo que votasse com seu próprio título várias vezes, pois esses dados constariam das listagens de diferentes seções eleitorais - explica. Para isso, seria preciso violar e alterar o arquivo de listagem (a carga) de várias urnas, contido nos flashcards, e inseminá-las com dados de eleitores que não estivessem em suas listagens originais.

6 Se bem sucedida, essa tática poderia, por exemplo (tomando uma cidade pequena), fazer aparecer os mesmos dez eleitores em 30 urnas, dando a algum candidato mal intencionado 300 votos de vantagem. Entretanto o ataque falhou.

7 - Foi até possível contaminar o arquivo da carga da urna, mas, uma vez modificado, ele não foi reconhecido por ela, devido às propriedades da chave criptográfica usada. Se violado, portanto, o arquivo não é mais lido pela urna - afirmou Nelson.

8 Vários outros testes foram feitos pelos técnicos e hackers. Um deles tentou quebrar o sigilo do voto usando radiação eletromagnética. O princípio era parecido com o dos programas keyloggers, que instalados no computador capturam tudo o que digitamos e envia ao criminoso digital. No caso, a ideia era puxar de forma wireless, através das próprias emissões eletromagnéticas do teclado da urna, o que estava sendo digitado pelo eleitor, comprometendo o sigilo do voto. Entretanto, diz Nelson (embora este teste tenha ficado a cargo de outro técnico), o equipamento usado precisava ficar muito perto (a centímetros) da urna para a captura, inviabilizando o ataque, que, naturalmente, deveria ser feito à distância.

9 Outras equipes tentaram infectar a urna com códigos maliciosos (vírus, etc.), através do flashcard de inseminação, e também verificaram se era possível violar fisicamente o lacre do aparelho de modo sutil (sem que a violação se tornasse aparente). Tudo sem sucesso.

10 - Mas é preciso lembrar que todos os ataques que fizemos foram isolados e pontuais - diz Nelson. Ou seja, os testes não foram feitos dentro do processo normal de uma eleição. A conclusão que tirei foi que com tentativas de invasão pontuais não é possível invadir o sistema; seria, em tese, necessária uma ação coordenada, combinando vários tipos de ataques, em diversos momentos do processo real do pleito. Isso precisaria de testes bem mais completos e exaustivos do que os realizados.

11 O que não significa que não haja pontos positivos no resultado - afinal, o TSE até abrandou algumas de suas regras para que os testes fossem feitos. A fiscalização real é bem mais rigorosa, lembra o especialista.

(MACHADO, André. In O Globo Digital, 23/11/09, p. 8, fragmento.)



A redação abaixo que mantém o sentido da oração "dando a algum candidato mal intencionado 300 votos de vantagem" (6º parágrafo), de acordo com o texto, é:

Alternativas da questão 744680
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