Questão
ID 738469Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Reorganização e Reescrita de Orações e Períodos
Ano: 2013 Banca: FUNRIO - Fundação de Apoio a Pesquisa, Ensino e Assistência Órgão: Instituto Nacional do Seguro Social
As questões 54 a 57 tomarão por base o texto de Maurizzio Gnerre:
A linguagem não é usada somente para veicular informações, isto é, a função referencial denotativa da linguagem não é senão uma entre outras; entre estas ocupa uma posição central a função de comunicar ao ouvinte a posição que o falante ocupa de fato ou acha que ocupa na sociedade em que vive. As pessoas falam para serem ouvidas, às vezes para serem respeitadas e também para exercer uma influência no ambiente em que realizam os atos linguísticos. O poder da palavra é o poder de mobilizar a autoridade acumulada pelo falante e concentrá-la num ato linguístico (Bourdieu, 1977). Os casos mais evidentes em relação a tal afirmação são também os mais extremos: discurso político, sermão na igreja, aula, etc. As produções linguísticas deste tipo, e também de outros tipos, adquirem valor se realizadas no contexto social e cultural apropriado. As regras que governam a produção apropriada dos atos de linguagem levam em conta as relações sociais entre o falante e o ouvinte. Todo ser humano tem que agir verbalmente de acordo com tais regras, isto é, tem que saber: a) quando pode falar e quando não pode, b) que tipo de conteúdos referenciais lhe são consentidos, c) que tipo de variedade linguística é oportuno que seja usada; (...) nem todos os integrantes de uma sociedade têm acesso a todas as variedades e muito menos a todos os conteúdos referenciais. Somente uma parte dos integrantes das sociedades complexas, por exemplo, tem acesso a uma variedade "culta" ou "padrão", considerada geralmente "a língua", e associada tipicamente a conteúdos de prestígio.
(Linguagem, Escrita e Poder. São Paulo: Martins Fontes, 1985.)
Numa das passagens do texto, que se transcreve a seguir, Gnerre escreveu “tem que agir” e “tem que saber”: “Todo ser humano tem que agir verbalmente de acordo com tais regras, isto é, tem que saber: a) quando (...), b) que tipo (...), c) que tipo (...).”
Se, diferentemente, o autor tivesse escrito “tem de agir” e “tem de saber”, poderíamos dizer que a frase estaria