Questão 73010

Sociologia (Ciências Sociais) · 2018

Questão

ID 73010

Disciplina: Sociologia (Ciências Sociais)

Assuntos: Darcy Ribeiro, Literatura Indígena, Religiões de Matriz Indígena

Ano: 2018 Banca: INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Órgão: Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes


FRAGMENTO I

Todos os homens nascem em Jerusalém. Eu também? Padre serei, ministro de Deus da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas gente eu sou? Não, não sou ninguém. Melhor que seja padre, assim poderei viver quieto e talvez até ajudar o próximo. Isto é, se o próximo deixar que um índio o abençoe, o confesse, o perdoe. Muitos até se comovem: "um índio convertido?" Quase sempre se espantam: "vai receber ordens?" E todos concluem: "para se dedicar às missões?" Nessa altura perguntam: "vai voltar ao seu povo?" Querem dizer: "à sua tribo"; "aos seus selvagens". Eu vou? Não vou? Belga ou holandês pode catequizar índio. Espanhol e italiano e até norte-americano podem pregar na Itália, na França, no Brasil, onde quiserem. Mas eu, índio mairum, posso ser sacerdote deles? Nunca!

RIBEIRO, D. Maíra. São Paulo: Círculo do Livro, 1977 (adaptado).

FRAGMENTO II

Este é o único mandamento que me comove todo: o de que cada povo permaneça, ele mesmo, com a cara que Ele lhe deu, custe o que custar. Nosso dever, nossa sina, não sei, é resistir, como resistem os judeus, os ciganos, os bascos e tantos mais. Todos inviáveis, mas presentes. Cada um de nós, povos inviáveis, é uma face de Deus. Isto vou dizer ao padre Ceschiatti, invertendo o seu argumento. Sim, meu confessor, nós os mairuns, somos uma face de Deus, nosso criador, digna face d'Ele, que temos o mandado de preservar, em toda a sua singularidade, tal qual Ele nos fez. Qual a consequência desse mandado para mim? Eu que sou o Isaías da Ordem Missionária e ao mesmo tempo o Avá do clã jaguar, do povo mairum? Não, jamais. Longe de mim esta ambiguidade.

RIBEIRO, D. Maíra. São Paulo: Círculo do Livro, 1977 (adaptado).

Em Maíra, Darcy Ribeiro narra a história do índio chamado Avá, que, adotado por um padre e influenciado pelo sacerdócio, começa a questionar sua fé e entra em conflito por ter abandonado seu povo. O resultado é uma obra cheia de reflexões e valores da cultura indígena rica, oprimida e contraditória aos valores hegemônicos das sociedades urbanas.



Com base nas informações e nos fragmentos de texto apresentados, avalie as afirmações a seguir.

I. No fragmento I, o índio Avá, indignado, denuncia a postura étnico-teológica excludente e segregadora dos diferentes.

II. No fragmento II, o índio Avá reconhece, a partir da doutrina da criação, uma leitura plural capaz de resistir às propostas hegemônicas e classificatórias.

III. Nos fragmentos I e II, a narrativa é tecida de forma a produzir identificação do leitor brasileiro com o índio Avá, resgatando a identidade brasileira frente aos invasores.

IV. No fragmento II, a fala de Avá "Todos inviáveis, mas presentes" apresenta a mesma intolerância que é denunciada no fragmento I.

É correto apenas o que se afirma em

Alternativas da questão 73010
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