Questão
ID 70425Disciplina: Sociologia (Ciências Sociais)
Assunto: Sociedade Capitalista
Ano: 2014 Banca: INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Órgão: Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes
Há tão somente máquinas em toda parte, e sem qualquer metáfora: máquinas de máquinas, com seus acoplamentos, suas conexões. Uma máquina-órgão é conectada a uma máquina-fonte: esta emite um fluxo que a outra corta. É assim que todos somos "bricoleurs"; cada um com as suas pequenas máquinas. Uma máquina-órgão para uma máquina-energia, sempre fluxos e cortes. Esta relação distintiva homem-natureza, indústria-natureza, sociedade-natureza, condiciona a distinção de "produção", "distribuição", "consumo". Mas esses tipo de distinções gerais pressupõem (como Marx mostrou) não só o capital e a divisão do trabalho, mas também a falsa consciência que o ser capitalista tem necessariamente de si e dos elementos cristalizados do consumo de um processo. É que, na verdade, não há esferas nem circuitos relativamente independentes: a produção é imediatamente consumo e registro, o registro e o consumo determinam diretamente a produção, mas a determinam no seio da própria produção. De modo que tudo é produção: produção de produções, de ações e paixões; produções de registros, de distribuições e de marcações; produções de consumos, de volúpias, de angústias e de dores.
DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O Anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia. Trad. L. B. Orlandi. São Paulo: Ed. 34, 2010, p. 11-14 (adapatado).
No texto acima, Gilles Deleuze e Félix Guattari analisam o capitalismo tomando como fio condutor a ideia de "máquinas desejantes". Na perspectiva desses autores,