Questão
ID 68011Disciplina: Sociologia (Ciências Sociais)
Assuntos: Boaventura de Sousa Santos, Vigilância Epistemológica
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Quarto Simulado Pnd
Em um curso de formação de professores, um docente de Sociologia busca aprofundar a crítica ao eurocentrismo no currículo de Ciências Sociais, utilizando o conceito de 'extrativismo epistêmico' de Boaventura de Sousa Santos. Ele quer que os futuros professores compreendam como as relações de poder colonial persistem na produção do conhecimento acadêmico. Ele apresenta um trecho do autor: “O extrativismo epistêmico é o processo pelo qual o conhecimento e os saberes dos povos e comunidades do Sul global são apropriados pelos pesquisadores do Norte, que os transformam em matéria-prima para a produção de conhecimento acadêmico (teses, livros, artigos). Nesse processo, os saberes locais são descontextualizados, fragmentados e traduzidos para a linguagem da ciência ocidental. O conhecimento resultante é publicado e validado no Norte, e os povos que o produziram originalmente não são reconhecidos como autores e raramente se beneficiam dos resultados da pesquisa. Trata-se de uma relação de pilhagem, análoga ao extrativismo de recursos naturais. A superação do extrativismo epistêmico exige a construção de uma 'ecologia de saberes' e de práticas de pesquisa colaborativas e solidárias.” (Adaptado de SANTOS, Boaventura de Sousa. Epistemologias do Sul. 2010).
Com base nesse conceito, analise as seguintes práticas de pesquisa realizadas por um professor universitário em uma comunidade quilombola:
I. O pesquisador realiza entrevistas com os mais velhos, grava seus relatos sobre plantas medicinais, publica um livro em seu próprio nome em uma editora europeia e não retorna à comunidade para compartilhar os resultados ou os lucros.
II. O pesquisador desenvolve um projeto em colaboração com a comunidade, no qual os moradores são co-pesquisadores. O objetivo é criar um catálogo bilíngue (português e a língua local) dos saberes sobre a biodiversidade, cuja autoria é coletiva e cujos benefícios são revertidos para a própria comunidade.
III. O pesquisador coleta artefatos e histórias sagradas da comunidade e os expõe em um museu na capital, tratando-os como 'objetos exóticos' de uma cultura 'em extinção', sem a participação ou o consentimento da comunidade sobre a forma como sua cultura é representada.
IV. O pesquisador se recusa a ir a campo, por considerar que os saberes da comunidade não são 'científicos' e, portanto, não têm valor para a produção de conhecimento acadêmico, o que reforça a hierarquia de saberes.
Representam práticas de 'extrativismo epistêmico' ou que reforçam a lógica colonial as descritas em: