Questão
ID 67999Disciplina: Sociologia (Ciências Sociais)
Assunto: Feminicídio e Violência de Gênero
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Quarto Simulado Pnd
Uma professora de Sociologia, ao planejar uma aula sobre feminismo e decolonialidade para o Ensino Médio, decide introduzir a perspectiva da antropóloga e feminista argentina Rita Segato sobre a violência de gênero. O objetivo é que os alunos compreendam a violência contra as mulheres não como um ato de desvio individual, mas como um fenômeno estrutural e político. A professora apresenta um trecho adaptado de uma entrevista da autora: “A violência contra as mulheres não é um crime comum, não é um ato de um 'monstro' ou de um 'louco'. É um crime que expressa e reproduz uma ordem social, a ordem patriarcal. Os homens não agridem por desejo sexual descontrolado, mas por um 'mandato de masculinidade'. A masculinidade hegemônica se constrói na demonstração de poder, de controle, de virilidade. A violência é uma forma de comunicação: ela envia uma mensagem de poder para a mulher agredida, mas também, e principalmente, para os outros homens. É uma forma de o homem mostrar à sua confraria masculina que ele é 'homem de verdade'. Por isso, a violência de gênero é um problema político, e não privado. É um pilar que sustenta a estrutura patriarcal.” (SEGATO, Rita. La guerra contra las mujeres. 2016). A professora propõe a análise de um caso de feminicídio amplamente noticiado na mídia.
Com base na perspectiva de Rita Segato, analise as seguintes afirmações sobre como o caso deveria ser abordado em sala de aula:
I. A análise deve focar nos traços psicológicos do agressor, tratando-o como um 'monstro' desviante, para mostrar aos alunos que a violência é um problema de indivíduos, e não da sociedade.
II. O professor deve orientar a discussão para que os alunos percebam como o agressor pode ter agido para cumprir um 'mandato de masculinidade', ou seja, para afirmar seu poder e controle diante da recusa ou da autonomia da mulher, e como essa atitude é validada por uma cultura patriarcal mais ampla.
III. A discussão deve explorar como a mídia, ao noticiar o crime, muitas vezes recorre a justificativas que culpam a vítima ('qual era a roupa dela?', 'por que ela estava sozinha?'), reforçando a estrutura de poder patriarcal.
IV. A única abordagem correta é a jurídica, limitando-se a explicar a Lei do Feminicídio, sem discutir as dimensões culturais e estruturais da violência de gênero.
São análises coerentes com o pensamento de Rita Segato as descritas em: