Questão
ID 67950Disciplina: Filosofia
Assuntos: Herbert Marcuse, Pedagogia Libertadora (Paulo Freire)
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Terceiro Simulado Pnd
Em um curso de formação continuada para professores de Ciências Sociais, o formador decide abordar a crise da democracia liberal a partir da perspectiva da Escola de Frankfurt, especialmente da análise de Herbert Marcuse sobre a 'tolerância repressiva'. O objetivo é que os professores desenvolvam uma visão crítica sobre como a tolerância, em certas condições, pode servir para manter a dominação. O formador apresenta um trecho do ensaio 'Tolerância Repressiva': “A tolerância que é a marca registrada da nossa sociedade livre se torna repressiva quando é aplicada de forma indiscriminada. Tolerar discursos e práticas que são manifestamente opressivos, desumanos ou que promovem a destruição (como o racismo, o fascismo, a propaganda de guerra) não é um ato de neutralidade, mas de cumplicidade com a manutenção do status quo. Essa tolerância 'pura', ao colocar no mesmo plano a palavra do opressor e a do oprimido, o movimento pela libertação e o movimento pela repressão, acaba por favorecer o lado mais forte. A verdadeira tolerância, a tolerância libertadora, exigiria a 'intolerância' para com movimentos e discursos que visam destruir as bases de uma sociedade livre e humana. Ela seria, portanto, uma tolerância 'partidária', engajada com a causa da libertação.” (MARCUSE, Herbert. 1965).
Com base na análise de Marcuse, analise as seguintes posturas pedagógicas em uma sala de aula de Ensino Médio:
I. Em um debate sobre o nazismo, o professor deve garantir o 'mesmo tempo de fala' para um aluno que defende a supremacia ariana e para um que a condena, em nome da 'neutralidade' e da 'tolerância' a todas as opiniões.
II. Ao discutir a escravidão, o professor deve tratar a defesa do sistema escravocrata como uma 'opinião' tão válida quanto a sua abolição, permitindo um debate 'equilibrado' entre as duas posições.
III. Um professor que se recusa a dar espaço para discursos de ódio (racistas, homofóbicos, misóginos) em sua sala de aula, argumentando que eles violam os direitos humanos e minam as bases de uma convivência democrática, estaria praticando uma 'tolerância libertadora'.
IV. A prática pedagógica deve ser 'partidária' no sentido de estar comprometida com os valores da emancipação, dos direitos humanos e da justiça social, o que implica ser intolerante com as forças da opressão e da barbárie.
São posturas coerentes com o conceito de 'tolerância libertadora' de Marcuse as descritas em: