Questão
ID 67891Disciplina: Sociologia (Ciências Sociais)
Assuntos: Estado Liberal e Liberalismo, Regimes Políticos
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Segundo Simulado Pnd
Em uma aula de Teoria Política Clássica, um professor busca aprofundar a compreensão dos alunos sobre a natureza do 'político', introduzindo o pensamento de Carl Schmitt e sua crítica ao liberalismo. O objetivo é que os alunos entendam a distinção fundamental que Schmitt estabelece entre 'político' e 'estatal'. O professor apresenta à turma um trecho da obra 'O Conceito do Político': “A distinção política específica, à qual se podem reconduzir todas as ações e motivos políticos, é a distinção entre amigo e inimigo. (...) O inimigo não é o concorrente privado ou o adversário que se odeia pessoalmente. O inimigo é apenas o inimigo público. (...) O inimigo é, no sentido existencial, o outro, o estranho; e para a sua essência basta que ele seja, num sentido particularmente intenso, algo de existencialmente diferente e estranho, de tal modo que, no caso extremo, conflitos com ele são possíveis. (...) O político pode extrair sua força dos mais diversos âmbitos da vida humana, das contraposições religiosas, econômicas, morais; mas ele subsiste por si mesmo quando é capaz de agrupar os homens segundo a lógica amigo-inimigo.” (SCHMITT, Carl. 1932). O professor pede que os alunos apliquem esse conceito para analisar a ascensão de movimentos populistas nacionalistas na contemporaneidade.
Com base na teoria de Carl Schmitt, analise as seguintes afirmações:
I. Os movimentos populistas frequentemente definem um 'inimigo' claro (o imigrante, a elite globalista, a imprensa) para criar um senso de identidade e coesão entre seus seguidores (o 'povo' autêntico), exemplificando a lógica amigo-inimigo como critério do político.
II. A política liberal, ao tentar neutralizar os conflitos através do debate, do procedimento e da economia, busca 'despolitizar' a sociedade, o que, para Schmitt, é uma ilusão que mascara os antagonismos reais.
III. Para Schmitt, a existência de um inimigo não é uma anomalia que deve ser eliminada; ao contrário, é fundamental para a política, que não deve se tornar um mero debate racional e pacífico entre indivíduos, como propõe o liberalismo.
IV. O conceito de inimigo em Schmitt não é puramente moral; o inimigo não é apenas aquele que é mau ou imoral, e a luta política não é simplesmente uma cruzada do bem contra o mal.
São análises coerentes com o pensamento de Carl Schmitt as descritas em: