Questão
ID 66483Disciplina: Língua Portuguesa
Assuntos: Inferência Textual, Pragmática
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Primeiro Simulado Pnd
Em um grupo de estudos para a Prova Nacional Docente, candidatos a professor de português debatem sobre a melhor forma de abordar a análise de aspectos morfossintáticos em sala de aula. O candidato A defende o método tradicional, baseado na Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), com foco na classificação exaustiva de termos (sujeito, predicado, adjunto adnominal, etc.) em frases descontextualizadas. O candidato B, por sua vez, argumenta que essa abordagem é ineficaz e desmotivadora. Ele defende uma prática de análise linguística que parta do texto e que explore os efeitos de sentido criados pelas escolhas léxico-gramaticais e morfossintáticas. Para ilustrar seu ponto, ele propõe a análise de duas manchetes sobre o mesmo fato: (1) 'Aumento de impostos é anunciado pelo governo'; (2) 'Governo anuncia aumento de impostos'. Ele argumenta que a análise morfossintática não deve se limitar a classificar (1) como voz passiva analítica e (2) como voz ativa. A análise, segundo ele, deve avançar para a dimensão pragmático-discursiva. Ele cita um linguista textual: 'A gramática de um texto não é um conjunto de regras a serem seguidas, mas um repositório de recursos expressivos à disposição do falante/escritor. A escolha entre a voz ativa e a passiva, por exemplo, não é aleatória; é uma estratégia discursiva que envolve topicalização, agenciamento e atribuição de responsabilidade.'
Com base na perspectiva do candidato B, analise as seguintes inferências sobre a análise das duas manchetes:
I. A manchete (1), ao usar a voz passiva e colocar 'Aumento de impostos' como sujeito paciente na posição inicial (tópico), enfatiza a medida e dilui a responsabilidade do agente, 'governo', que aparece no final da frase, em uma posição de menor destaque.
II. A manchete (2), ao usar a voz ativa, coloca 'Governo' como sujeito agente e tópico da frase, atribuindo-lhe diretamente a responsabilidade pela ação de 'anunciar', o que gera um efeito de sentido de maior agência e proatividade.
III. Do ponto de vista puramente normativo, a manchete (1) é sintaticamente mais complexa e, portanto, 'melhor' que a (2), devendo ser preferida em qualquer contexto de comunicação formal, independentemente do efeito de sentido desejado.
Está correto o que se afirma em: