Questão
ID 66338Disciplina: Língua Portuguesa
Assuntos: Concepções de Língua, Variação Linguística e Norma Padrão (Ensino)
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Primeiro Simulado Pnd
Uma professora de Língua Portuguesa do 8º ano, em uma escola particular de uma capital brasileira, desenvolve um projeto sobre variação linguística. Após apresentar conceitos da Sociolinguística Variacionista e discutir diferentes variedades regionais, sociais e de registro, ela exibe vídeos de falantes de diversas partes do Brasil. Um dos vídeos mostra uma entrevista com uma agricultora de uma comunidade rural do interior de Minas Gerais, cuja fala apresenta traços como a simplificação dos ditongos ('pexe' em vez de 'peixe'), o 'r' retroflexo e o uso do pronome 'nós' com a forma verbal da terceira pessoa ('nós vai'). Após a exibição, um aluno comenta em voz alta: 'Nossa, professora, ela fala tudo errado! Não dá nem pra entender direito. Isso é português?'. A manifestação do aluno, embora represente uma oportunidade pedagógica, revela um forte preconceito linguístico internalizado. A professora, ciente de que uma abordagem meramente expositiva sobre o tema pode não ser eficaz, busca uma estratégia que leve os alunos a questionarem suas próprias crenças e a compreenderem a legitimidade das diferentes variedades do português. Ela consulta o seguinte trecho de Marcos Bagno em 'Preconceito Linguístico: o que é, como se faz': 'O preconceito linguístico se baseia na crença de que existe um único português 'certo', que é aquele ensinado na escola e falado pelas classes sociais de maior prestígio. Qualquer variedade que se desvie desse padrão é considerada 'errada', 'feia', um sinal de inferioridade cultural e intelectual do falante.'
Com base na situação e no referencial teórico, analise as seguintes ações pedagógicas quanto à sua adequação para combater o preconceito linguístico manifestado:
I. Interromper o aluno imediatamente, afirmar que sua atitude é inaceitável e explicar que a fala da agricultora é um dialeto regional legítimo, cuja gramática particular difere da norma-padrão, mas não é 'errada', e sim sistemática e funcional em sua comunidade.
II. Propor uma atividade de pesquisa na qual os alunos, em grupos, investiguem a origem histórica e as regras gramaticais de diferentes fenômenos de variação (como a redução do ditongo ou o uso do 'nós vai'), demonstrando que se trata de processos de mudança linguística e não de 'erros' aleatórios.
III. Aplicar uma prova de gramática normativa para toda a turma, a fim de mostrar ao aluno que mesmo os falantes da norma culta frequentemente cometem 'erros' segundo a gramática tradicional, relativizando a noção de 'falar certo'.
É correto o que se afirma em: