Questão
ID 65976Disciplina: Língua Portuguesa
Assuntos: Discurso, Voz Passiva Sintética
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Segundo Simulado Pnd
Uma professora de Língua Portuguesa do Ensino Médio, ao corrigir as redações de seus alunos, observa um uso indiscriminado da construção de voz passiva sintética, muitas vezes de forma inadequada, como em '*Aluga-se apartamentos com dois quartos'. Ela decide planejar uma aula que não apenas corrija o 'erro' de concordância, mas que também discuta a função discursiva da voz passiva. Para isso, ela se baseia em um referencial da gramática funcional.
'Do ponto de vista funcional, a escolha entre a voz ativa ('Alguém aluga apartamentos'), a passiva analítica ('Apartamentos são alugados') e a passiva sintética ('Alugam-se apartamentos') não é aleatória, mas motivada por estratégias comunicativas. A voz passiva é um mecanismo que permite ao falante gerenciar o foco da informação. Ela é tipicamente usada quando o agente da ação é desconhecido, irrelevante ou quando se deseja omiti-lo por alguma razão. Tanto a passiva analítica quanto a sintética promovem o paciente ('apartamentos') à posição de tópico da frase, dando-lhe maior destaque. A diferença entre elas é de registro e de concisão. A passiva sintética é mais concisa e comum em certos gêneros, como anúncios classificados. A questão da concordância verbal na passiva sintética ('alugam-se' e não '*aluga-se') se deve ao fato de que o paciente ('apartamentos') é o sujeito sintático da oração. A não concordância, muito comum na fala, revela que os falantes estão reinterpretando a construção como uma oração impessoal. Um ensino de gramática que se limita a apontar o 'erro' perde a oportunidade de discutir com os alunos 'por que' e 'em que situações' um escritor optaria pela voz passiva, e qual o efeito de sentido dessa escolha.'
Com base nesta reflexão, analise as seguintes propostas didáticas.
I. A professora deve ensinar a regra de concordância ('Alugam-se apartamentos'), mas também promover uma atividade em que os alunos comparam um mesmo fato noticiado em voz ativa e passiva, discutindo qual informação é enfatizada em cada versão.
II. A abordagem mais correta é proibir o uso da voz passiva nas redações dos alunos, por ser uma estrutura muito complexa e propensa a erros.
III. A discussão sobre as funções discursivas da voz passiva é irrelevante; basta que os alunos memorizem a regra de concordância para aplicá-la mecanicamente nos exercícios.