Questão 65917

Língua Portuguesa · 2025

Questão

ID 65917

Disciplina: Língua Portuguesa

Assuntos: Norma Culta ou Norma Padrão, Variação Linguística e Norma Padrão (Ensino)

Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Segundo Simulado Pnd


Em uma aula de Linguística Histórica do Português, um professor formador deseja que seus alunos, futuros docentes, compreendam a diferença entre mudança e variação linguística e como esses conceitos se aplicam ao português brasileiro contemporâneo. Ele escolhe como objeto de estudo a colocação dos pronomes átonos, um tópico de constante debate. Para isso, apresenta o seguinte texto-base, que sintetiza a perspectiva de linguistas como Ataliba de Castilho:

'A gramática histórica nos mostra que a posição do pronome átono no português não é, e nunca foi, um sistema monolítico. No português arcaico, a próclise era fortemente condicionada por fatores fonético-sintáticos, como a presença de palavras negativas ou advérbios antes do verbo (regra conhecida como Lei de Tobler-Mussafia). A ênclise era a posição não marcada. Com o passar dos séculos, especialmente no português brasileiro, o sistema foi se reestruturando. A próclise se expandiu enormemente, tornando-se a posição default na língua falada, independentemente dos fatores que a condicionavam no passado. Frases como 'Me dá um copo d'água' ou 'Eu te amo', condenadas pela gramática normativa tradicional, são a regra na oralidade. O que a norma chama de 'erro', a linguística diacrônica vê como um estágio avançado de um processo de mudança linguística. Sincronicamente, o que temos hoje no Brasil é uma situação de variação: a próclise coloquial convive com a ênclise e a mesóclise, que são marcadores de um registro mais formal ou literário. O papel do professor não é erradicar a próclise 'brasileira', mas desenvolver no aluno a competência para transitar entre os diferentes registros, compreendendo que 'me dá' e 'dá-me' não são um caso de 'certo vs. errado', mas de 'adequado vs. inadequado' dependendo da situação comunicativa.'

Com base nesta reflexão, analise as seguintes asserções sobre o tratamento pedagógico da colocação pronominal.

I. Uma abordagem pedagógica informada pela linguística histórica deve ensinar que a próclise coloquial brasileira não é um 'vício de linguagem' que corrompe a pureza da língua herdada de Portugal.
II. O ensino eficaz da colocação pronominal envolve explicar aos alunos que existem diferentes 'gramáticas' (a da fala coloquial e a da escrita formal) e que o domínio da língua implica saber quando usar cada uma, o que caracteriza o desenvolvimento da competência sociolinguística.
III. A mudança que levou à generalização da próclise no Brasil é um processo histórico e sistêmico, e não um sinal de 'preguiça' ou 'ignorância' dos falantes.

Alternativas da questão 65917
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