Questão
ID 65912Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Crítica Literária
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Terceiro Simulado Pnd
Uma professora de literatura, ao planejar seu curso para a 3ª série do Ensino Médio, decide trabalhar com a obra 'Angústia', de Graciliano Ramos. Ela sabe que a obra é densa e pode apresentar desafios para os leitores jovens. Seu objetivo é que os alunos compreendam como o romance filia-se à segunda fase do Modernismo brasileiro, mas, ao mesmo tempo, a transcende, dialogando com correntes do pensamento europeu. Ela utiliza o seguinte trecho de um ensaio crítico para preparar sua aula:
'Classificar 'Angústia' (1936) simplesmente como um 'romance regionalista' é um equívoco redutor. Embora o cenário seja a Maceió dos anos 30, a obra mergulha fundo na crise existencial do homem moderno, aproximando-se do romance psicológico e do existencialismo europeu. O protagonista, Luís da Silva, é um anti-herói, um funcionário público frustrado e solitário, esmagado pela monotonia da vida provinciana e assombrado por memórias de um passado familiar opressor. A narrativa não se estrutura em uma trama de ação externa, mas no fluxo de consciência de Luís. O tempo é psicológico, fragmentado, misturando presente, passado e alucinação. A própria sintaxe do romance, com seus períodos longos e sinuosos, sua repetição obsessiva de palavras e imagens, mimetiza o estado de angústia e paranoia do protagonista. Graciliano Ramos, portanto, ao mesmo tempo que realiza uma crítica contundente da oligarquia e da decadência social do Nordeste (em linha com o romance de 30), também constrói um dos mais profundos estudos do mal-estar da subjetividade moderna em nossa literatura. A obra é, ao mesmo tempo, um documento de seu tempo e um mergulho atemporal nas profundezas da psique humana.'
A partir desta análise, qual seria a abordagem mais completa para a leitura de 'Angústia' em sala de aula?