Questão 645421

Língua Portuguesa · 2009

Questão

ID 645421

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Substituição de Verbos por Advérbios e Vice-versa

Ano: 2009 Banca: Fundação CESGRANRIO Órgão: Departamento de Controle do Espaço Aéreo


Audácia, prudência, temperança

Uma sociedade é sustentável quando consegue

articular a cidadania ativa com boas leis e instituições

sólidas. São os cidadãos mobilizados que fundam e

refundam continuamente a sociedade e a fazem fun-

5 cionar dentro de padrões éticos.

O presente momento da política brasileira e a situação

atual do mundo estigmatizado por várias crises

nos convidam a considerar três virtudes urgentes:

a audácia, a prudência e a temperança.

10 A audácia é exigida dos tomadores de decisões

face à situação social brasileira que, vista a partir das

grandes maiorias, é desalentadora. Muito se tem feito

no atual Governo, mas é pouco face à chaga histórica

que extenua os pobres. Nunca se fez uma revolução

15 na educação e na saúde, alavancas imprescindíveis

para transformações estruturais. Um povo ignorante e

doente jamais dará um salto para frente.

Algo semelhante ocorre com a política mundial

face à escassez de água potável e ao aquecimento

20 global do planeta. Audácia é aquela coragem de tomar

decisões e pôr em prática iniciativas que respondem

efetivamente aos problemas em questão.

O que vemos, especialmente no âmbito do G-8, do

FMI, do BM e da OMC diante dos problemas referi-

25 dos, são medidas tímidas que mal protelam catástrofes

anunciadas. No Brasil a busca da estabilidade

macroeconômica inibe a audácia que os problemas

sociais exigem. Dever-se-ia ir tão longe na audácia que

um passo além seria insensatez. Só assim evitar-se-ia

30 que as crises, nacional e mundial, se transformassem

em drama coletivo de grandes proporções.

A segunda virtude é a prudência. Ela equilibra a

audácia. A prudência é aquela capacidade de escolher

o caminho que melhor soluciona os problemas e

35 mais pessoas favorece. Por isso a prudência é a arte

de congregar mais e mais agentes e de mobilizar mais

vontades coletivas para garantir um objetivo bom para

o maior número possível de cidadãos.

Como em todas as virtudes, tanto a audácia quan-

40 to a prudência podem conhecer excessos. O excesso

de audácia é a insensatez. A pessoa vai tão longe que

acaba se isolando dos outros ficando sozinha como um

Dom Quixote. O excesso da prudência é o imobilismo.

A pessoa é tão prudente que acaba morrendo de ajui

45 zada. Engessa procedimentos ou chega tarde demais

na compreensão e solução das questões.

Há uma virtude que é o meio termo entre a audácia

e a prudência: a temperança. Em condições normais

significa a justa medida, o ótimo relativo, o equilí-

50 brio entre o mais e o menos. Ela é a lógica do universo

que assegura o equilíbrio entre a desordem originária

do big bang (caos) e a ordem produzida pela expansão/

evolução (cosmos). Mas em situações de alto caos

social como é o nosso caso, a temperança assume a

55 forma de sabedoria política. A sabedoria implica levar

tão longe a audácia até aquele ponto para além do qual

não se poderá ir sem provocar uma grande instabilidade.

O efeito é uma solução sábia que resolve as questões

das pessoas mais injustiçadas, quer dizer, traz-lhes

60 sabor à existência (donde vem sabedoria).

Ninguém expressou melhor esse equilíbrio sutil

entre audácia corajosa e prudência sábia que Dom

Pedro Casaldáliga ao escrever: “Saber esperar, sa-

bendo ao mesmo tempo forçar as horas daquela ur-

65 gência que não permite esperar”.

BOFF, Leonardo.

Disponível em: http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/boff/



“Como em todas as virtudes, tanto a audácia quanto a prudência podem conhecer excessos.” (l. 39-40)

Reescrevendo-se a passagem acima, o sentido fica mantido em:

Alternativas da questão 645421
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