Questão
ID 626703Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Estrangeirismo
Ano: 2014 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul
As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
O que será o amanhã?
- Como era mesmo a história daquele filme _____ você assistiu na semana passada? E aquele livro
- _____ você terminou de ler no último mês? E o novo número de telefone da sua mãe, que trocou no início
- do ano? E o candidato a deputado ______ você votou na eleição passada?
- Caso esteja difícil de lembrar, a culpa pode ser do excesso de informação. Nessa era de culto à
- velocidade, em que tudo está acessível ao toque de um clique, o neurocientista português António Damásio
- adverte que nosso cérebro está correndo riscos. Assim como o barulho pode ser danoso aos ouvidos e
- atrapalhar a concentração, a sobrecarga de informações produziria o mesmo efeito de ruído intelectual, ele
- afirma. O maior problema seriam as distrações constantes, provocadas por mensagens que as pessoas
- recebem nos celulares, na caixa de e-mails, que roubam nosso foco. Uma das consequências seria o
- comprometimento da memória.
- – Não é possível funcionar normalmente quando se está sendo bombardeado com informação. Para
- absorver um problema, para ter ideia dele e para poder imaginar soluções, é preciso ter atenção contínua,
- ou seja, ela não pode ser constantemente interrompida por novos estímulos. É preciso também que haja
- essa atenção contínua para ser possível haver memória, que não funciona bem quando há interrupções.
- Tudo isso se reflete, portanto, na qualidade, no comportamento, na maneira como conseguimos responder
- às situações em que nos encontramos – alertou o pesquisador, em abril de 2013, em entrevista à revista
- Fronteiras do Pensamento.
- A longo prazo, o neurocientista acredita que o cérebro terá de se adaptar para responder aos estímulos
- fragmentários, mas pondera que a sociedade deveria se precaver, agindo de modo mais inteligente. Os
- riscos não se restringem apenas ao excesso de informação, pois o aumento da exposição a situações de
- estresse na vida contemporânea também deixa marcas no cérebro. Pesquisa coordenada pela psicóloga
- Rosa Maria Martins de Almeida, professora do departamento de psicologia na UFRGS, comprovou que a
- exposição a um minuto e meio de vídeos com cenas desagradáveis, como violência e morte, já são
- suficientes para afetar a memória e a capacidade de atenção dos sujeitos.
- Rosa conta que o objetivo inicial da pesquisa era mostrar estímulos agradáveis para melhorar a
- cognição e a atenção do público, mas os estudos não demonstraram o mesmo resultado. A professora
- afirma: “O que é agradável para um não necessariamente é agradável para outro. Mas o que nos é
- desagradável é unânime. Os resultados sugerem que estímulos visuais aversivos podem aumentar a
- ansiedade e diminuir a atenção e o desempenho da memória de trabalho”.
- Apesar da impressão de que estamos todos mais angustiados com a corrida contra o tempo, a
- psiquiatra Gisele Manfro, professora da UFRGS e coordenadora do Programa de Atendimento dos
- Transtornos de Ansiedade do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, diz que as pesquisas são controversas
- sobre o aumento da ansiedade na era contemporânea. “Não sei se a ansiedade é maior hoje do que era
- para os homens da caverna, quando tinham que matar para comer. A diferença é que hoje temos mais
- instrumentos de diagnóstico" pondera Gisele, salientando que a estimativa é de que 20% da população hoje
- sofra de transtornos de ansiedade.
- Na corrida contra o tempo, nós acabamos apreendidos pela síndrome do Coelho de Alice, correndo
- para lá e para cá com um relógio na mão. Afinal, quando a bússola é um relógio, o trajeto será sempre em
- círculos.
Fonte: texto adaptado – ZH, 03/05/2014
Observe as assertivas que seguem sobre palavras retiradas do texto.
I. A palavra ‘barulho’ possui o mesmo número de letras e fonemas.
II. Em ‘coordenada’, há um número igual de letras e fonemas.
III. Na palavra ‘constantes’, há dois dígrafos.
Quais estão corretas?