Questão
ID 626392Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Transformação de Oração Reduzida em Desenvolvida e Vice-versa
Ano: 2020 Banca: QUADRIX - Instituto Quadrix Órgão: Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul
Texto para as questões de 1 a 5.
Inalação com moléculas de RNA pode ensinar pulmão a fazer os próprios remédios
1 Agradeça todos os dias por suas moléculas de RNA. Você pode até não saber que elas existem, mas elas “sabem”
que você existe – e te conhecem melhor que seu amigo mais íntimo. Todos os dias, o tempo todo, em todas as suas células,
moléculas de RNA acessam o DNA, coletam as instruções armazenadas nele e usam essas instruções para fabricar as
4 noventa e duas mil proteínas que permitem a sua existência. Sem o RNA para fazer o trabalho duro, o DNA seria só um
cartão de memória inerte; suas proteínas não seriam fabricadas e você nem chegaria a morrer – pois nunca teria nascido.
Para exercer sua função, o RNA precisa se dividir em três tipos. Um é o mensageiro (RNAm). Ele é o cara que anota
7 instruções de uma proteína no DNA e leva essas instruções para a fábrica. Outro é o ribossomal (RNAr). Como o próprio
nome diz, ele forma o ribossomo – e o ribossomo é a fábrica de proteínas da célula, o lugar em que elas são montadas.
Por último, há o transportador (RNAt). O RNAt tem função logística. Leva os aminoácidos, que são a matéria-prima das
10 proteínas, para os ribossomos.
Isso fez um grupo de pesquisadores do MIT pensar: o que aconteceria se você inserisse RNAm com instruções
para fabricar medicamentos no corpo de um paciente? Será que os ribossomos leriam essas instruções e passariam a
13 fabricar os medicamentos com a mesma eficiência com que produzem as proteínas originais? A resposta, publicada em
um artigo científico no dia 4 de julho de 2020, é sim. E, no caso de uma doença pulmonar como a fibrose cística, o RNAm
poderia ser ministrado de maneira bem simples: misturado no soro durante seções de inalação.
16 Os testes foram feitos em camundongos. Os pesquisadores criaram uma molécula de RNAm que contém
instruções para produzir uma proteína chamada luciferase – que é bioluminescente (ou seja, que emite luz). Depois,
misturaram o RNAm no vapor e fizeram os camundongos respirá-lo. Não deu outra: os pulmões dos camundongos
19 prontamente absorveram o RNAm, e os ribossomos passaram a produzir a proteína luciferase. Em 24 horas, tudo estava
aceso feito o abdômen de um vagalume.
Os cientistas usaram uma proteína bioluminescente para fazer o teste (em vez de uma proteína com finalidade
22 terapêutica, que é o objetivo final) porque, com a luz, fica mais fácil verificar que a dita-cuja foi produzida com sucesso.
Não há motivos para acreditar que o processo não se aplique a seres humanos, pois o trio DNA, RNA e proteínas
é universal: todos os seres vivos, de uma ameba a uma girafa, dependem dele. O RNA de uma ameba consegue ler o DNA
25 de uma girafa, e vice-versa – a linguagem do material genético é compartilhada por todos os seres vivos da Terra.
O próximo passo, claro, é testar a técnica em seres humanos – e até, quem sabe, diluir as moléculas de RNAm em
soluções de aplicação ainda mais simples, como um spray aerossol. Uma empresa farmacêutica chamada TranslateBio já
28 está organizando o primeiro round de testes clínicos. A terapia de RNAm não chegará tão cedo à farmácia; quando chegar,
provavelmente será cara. Mas representa um passo inédito para a ciência: uma técnica que força o corpo a fabricar o
próprio remédio, em vez de fornecê-lo pronto.
Internet:https://super.abril.com.br (com adaptações).
Caso se substitua “para” por para que, no trecho “Para exercer sua função, o RNA precisa se dividir em três tipos” (linha 6), a forma verbal “exercer” deverá ser substituída por