Questão
ID 622941Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Sujeito e Agente da Oração na Voz Passiva
Ano: 2020 Banca: Dédalus Concursos Órgão: Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina
As questões de 01 a 07 dizem respeito ao Texto. Leia-o atentamente antes de respondê-las.
1 Compro livros pela internet na maior parte das vezes e,
quando vou a livrarias, sempre me assusto com a
insuficiência do que é oferecido. Ninguém precisa ser guru
do marketing para perceber que isso obriga a transformar
5 as livrarias em centros culturais, de modo que o livro, a
exemplo da pipoca do cinema, seja comprado como uma
espécie de subproduto do curso, da palestra ou da
exposição que se realizou naquele dia.
Tudo bem quanto às livrarias, portanto. Mas o que
10 acontecerá com as lojas de rua? Ainda acho difícil
comprar roupas e sapatos pela internet, mas o comércio
virtual começa a devorar isso também. Vão surgindo
"lojas" que são como depósitos, onde você acessa um
terminal de computador, escolhe o produto, paga e
15 entrega a nota para um funcionário (algo entre balconista e
carregador), simplesmente pega a caixa de papelão e
a entrega para você.
Óbvio que tudo fica mais barato. O que fazer para manter
as lojas de pé? Acho que começam a procurar o caminho
20 das livrarias.
Cada vez mais a publicidade usa o termo "experiência". O
carro x não é apenas mais rápido, maior, mais confortável.
Vende- se a "experiência" de andar no carro x. O consumo
contemporâneo não pode mais oferecer simplesmente
25 uma coisa que você leva para casa: tem que fazer da sua
compra, de seu ato de consumo, um momento de lazer ou
de emoção pré-fabricada. Para lembrar Ortega y Gasset,
a mercadoria hoje é "a mercadoria e sua circunstância".
Possivelmente, o modelo disso tudo é o turismo. Nunca foi
20 possível vender um pedaço Coliseu; vende- se a
oportunidade de estar na frente dele. Os navios de
cruzeiro prolongam ao máximo o ato da viagem em si, em
vez de simplesmente entregarem ao turista o lugar para
onde ele vai.
35 No plano cultural, também muda o velho processo em que
a arte era tratada como mercadoria. Compra- se uma
música, é claro, tanto no velho CD quanto na "degustação"
de um vinil, ou ainda pela assinatura de um site de
streaming. Aí, estamos no campo da mercadoria, Mas as
40 pessoas procuram outra coisa -e vão a shows. O show
de um cantor é uma "experiência", e custa muito mais do
que o disco em que o show foi inspirado.
(Adaptado de Folha de S. Paulo, em 29/01/2020)
Em “... seja comprado como uma espécie de subproduto do curso, da palestra ou da exposição que se realizou naquele dia.” (linhas 6 a 8), a partícula “se” é utilizada com o fim de: