Questão
ID 614208Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Assunto: Desigualdade Racial/De Cor
Ano: 2006 Banca: IPAD - Instituto de Planejamento e Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico e Científico Órgão: Companhia Pernambucana de Saneamento
TEXTO 1
Negros começam a ganhar visibilidade no Brasil
O ator Lázaro Ramos, que deu seus primeiros passos na escola de teatro do grupo musical Olodum, em Salvador, é o símbolo da conquista de espaço para os atores negros nas telas de cinema brasileiras. Ele trabalhou em dez filmes nos últimos três anos, é o protagonista de uma série de TV de sucesso e apresenta um dos programas de maior audiência no Brasil. Mas há apenas cinco anos seu êxito seria inimaginável. Os filmes brasileiros dificilmente tinham protagonistas negros.
Nas populares telenovelas, de um total de 40 personagens há em média três ou quatro para atores negros, e sempre em papéis secundários. Apesar de o Brasil ter a segunda maior população negra do mundo, depois da Nigéria, com 47% da população negra ou mestiça, os negros eram invisíveis nas telas.
No ano passado, a atriz Thaís Araújo, ao liderar o elenco da bem-sucedida novela "Da Cor do Pecado", conseguiu ser a primeira estrela negra em quase 40 anos de telenovelas da Globo, o principal canal de televisão do Brasil. A novela em que Thaís atuou obteve recorde de audiência. A produção que a sucedeu no mesmo horário tem agora nove atores negros, outro número inédito. Além do sucesso na tevê, a jovem atriz esteve nas capas de revistas de moda em um país onde as passarelas são dominadas por modelos louras.
O preconceito produziu absurdos na ficção. Em 2001, a telenovela "Porto dos Milagres" tinha seis atores negros de um total de 40, embora o enredo transcorresse na Bahia, Estado do nordeste brasileiro onde 80% da população é mestiça.
Durante décadas, o Brasil acreditou nas teorias desenvolvidas pelo sociólogo Gilberto Freyre, de que o país era uma "democracia racial". "Todo brasileiro traz na alma e no corpo a sombra do indígena ou do negro", dizia o autor. Acreditava-se que o racismo não existisse, devido à profunda mestiçagem e à inexistência de qualquer movimento de segregação, ao contrário dos Estados Unidos. Mas o Brasil foi o último país americano que proibiu a escravidão, em 1888. Em pouco mais de um século de liberdade, os descendentes de escravos tiveram muita dificuldade em sua ascensão social.
Hoje, entre os 20% de brasileiros de maior renda, apenas 19% são negros, enquanto 80% são brancos. O salário médio dos negros costuma ser a metade do dos brancos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nas esferas governamentais, a presença negra ainda é tímida, mas também está em claro crescimento.
Depois de tantos anos alardeando que não havia racismo, os brasileiros discutem agora o projeto do governo de criação do sistema de cotas para garantir o acesso dos negros às universidades públicas.
Raul Juste Lores. El pais. 14/05/2005. Adaptado
O Texto 1 aborda, principalmente, a questão: