Questão
ID 60808Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Discurso
Ano: 2014 Banca: INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Órgão: Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes
Entre as perspectivas teóricas e analíticas que têm buscado compreender o funcionamento da linguagem, em seus diferentes níveis, tem-se destacado, no cenário brasileiro, a Análise de Discurso (AD). Essa postura teórica adquiriu contornos diferenciados em sua constituição, desdobrando-se em Análise de Discurso de linha francesa, a qual privilegia o contato com a História, e em Análise de Discurso anglo-saxã, que enfatiza o contato com a Sociologia. Para a reflexão aqui proposta, as afirmações fazem referência à Análise de Discurso francesa.
Texto 1 A Análise de Discurso tal como a conhecemos no Brasil - na perspectiva que trabalha o sujeito, a história, a língua - se constitui no interior das consequências teóricas estabelecidas por três rupturas que estabelecem três novos campos de saber: a que institui a Linguística, a que constitui a Psicanálise e a que constitui o Marxismo. Com a Linguística, ficamos sabendo que a língua não é transparente; ela tem uma ordem marcada por sua materialidade que lhe é própria. Com o Marxismo, ficamos sabendo que a história tem sua materialidade: o homem faz a história, mas ela não lhe é transparente. Finalmente, com a Psicanálise, é o sujeito que se coloca como tendo sua opacidade: ele não é transparente nem para si mesmo. E isto acontece nos anos 60 do século XX, momento em que a leitura suscita questões a respeito da interpretação. Abre-se aí um lugar teórico para a Análise de Discurso, uma disciplina de entremeio que busca compreender o que o ato de ler significa, se distanciando, portanto, da análise de conteúdo, na qual se procura extrair sentidos do texto, tentando responder o que o texto quer dizer.
ORLANDI, E. Análise de discurso. In: ORLANDI, E.; LAGAZZI-RODRIGUES, S. (orgs.) Introdução às ciências da Linguagem: discurso e textualidade. Campinas: Pontes, 2006, p. 11-42 (adaptado).
Texto 2
Enquanto seres humanos somos seres históricos, simbólicos e sociais. Ao considerar o sujeito, o sentido, comecei a me interessar, criticamente, pelo processo dessa identidade, assim como pelo modo como os sentidos eram constituídos. Para isso, tinha de mostrar que a gente precisa atravessar a interpretação para chegar à compreensão do discurso. Na interpretação, somos pegos pelas evidências já construídas, ao sabor das quais nos relacionamos com nossa realidade, imaginária. Com a compreensão, não ficamos nos produtos, mas conhecemos os processos de produção, a historicidade em sua materialidade contraditória, concreta, que atingimos analisando a materialidade discursiva.
Disponível em: http://redeglobo.globo.com. Acesso em: 17 jul. 2014 (adaptado).
Considerando os textos acima, avalie as afirmações a seguir.
I. A Análise de Discurso se institui como uma escuta particular que tem como característica trabalhar com sentidos ou sujeitos idealizados; assim, o que interessa no discurso é a sua forma abstrata, desvinculada de seu processo de produção. II. A análise de conteúdo e a Análise de Discurso procedem de forma semelhante nos processos de interpretação e compreensão dos textos, fixando seus procedimentos de análise no que é inteligível e interpretável. III. A articulação de três áreas (Linguística, Psicanálise e Marxismo) nos estudos do discurso resultou, nos anos 60, em uma posição crítica em relação à noção de leitura e interpretação, a qual problematizava a relação do sujeito com o sentido. IV. A Análise de Discurso, como teoria de leitura que visa a explicar como um texto funciona, trabalha a relação entre sujeito, história e língua; nessa perspectiva, compreender é saber como um objeto simbólico (enunciado, texto, pintura, música etc) produz sentidos.
É correto o que se afirma em