Questão
ID 568825Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Ironia
Ano: 2014 Banca: CESPE CEBRASPE - Centro de Seleção e de Promoção de Eventos UnB Órgão: Câmara dos Deputados
1 _____ Em episódio que não sei mais se se estuda na HistóriaEm episódio que não sei mais se se estuda na História
do Brasil, pois nem mesmo sei se ainda se estuda História do
Brasil, nos contavam, às vezes com admiração, que D. Pedro,
4 o da Independência, irritado com a primeira Assembleia
Constituinte brasileira, por ele considerada folgada e ousada,
encerrou a brincadeira e outorgou a Constituição do novo
7 Estado. Decerto a razão não é esta, é antes um sintoma, mas
vejo aí um momento exemplar da tradição de encarar o Estado
(que, na conversa, chamamos de “governo”) como nosso
10 mestre e os nossos direitos como por ele dadivados. Os
governantes não são mandatários ou representantes nossos, mas
patrões ou chefes.
13_____ Claro, há muito que discutir sobre o conceito de
praticamente cada palavra que vou usar — isto sempre, de
alguma forma, é possível —, mas vamos fingir que existe
16 consenso sobre elas, não há de fazer muito mal agora. Nunca,
de fato, tivemos democracia. E a República não trouxe
nenhuma mudança efetivamente básica para o povo brasileiro,
19 nenhuma revolução ou movimento o fez. Tudo continua como
era dantes, só que os defeitos, digamos, de fábrica, vão
piorando com o tempo e ficam cada vez mais difíceis de
22 consertar. Alguns, na minha lúgubre opinião, jamais terão
reparo, até porque a Humanidade, pelo menos como a
conhecemos, deve acabar antes.
João Ubaldo Ribeiro. A gente se acostuma a tudo. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p. 113-4 (com adaptações).
Em relação ao trecho acima reproduzido, julgue os itens que se seguem.
O vocábulo “brincadeira” (l.6) é utilizado pelo autor para se referir, de forma jocosa, aos trabalhos da “Assembleia Constituinte” dissolvida por D. Pedro.