Questão
ID 568797Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Analogia
Ano: 2012 Banca: CESPE CEBRASPE - Centro de Seleção e de Promoção de Eventos UnB Órgão: Câmara dos Deputados
1 Antes de tudo, a gramática normativa depende da
linguística sincrônica, ou gramática descritiva, para não ser
caprichosa e contraproducente. Regras de direito que não
4 assentam na realidade social, depreendida pelo estudo
sociológico puro, caem no vazio e são ou inoperantes ou
negativas até. Assim, também, só é altamente nociva uma
7 higiene que não assenta em verdades biológicas. Não se
compreende uma situação inversa. Depois, mesmo quando
convém a correção de um procedimento linguístico (porque
10 marca desfavoravelmente o indivíduo do ponto de vista da
posição social, ou porque prejudica a clareza e a eficiência da
sua capacidade de comunicação, ou porque cria um cisma
13 perturbador em um uso mais geral adotado), é preciso saber a
causa profunda desse procedimento, para poder combatê-lo
na gramática normativa. Finalmente, a norma não pode ser
16 uniforme e rígida. Ela é elástica e contingente, de acordo com
cada situação social específica. O deputado não fala na rua, ao
se encontrar com um amigo, como falaria em uma sessão da
19 Câmara. E assim por diante.
Joaquim Mattoso Câmara Jr. In: Evanildo Bechara.
Estudo da língua portuguesa: textos de apoio.
Brasília: FUNAG, 2010, p. 308-9 (com adaptações).
Com base no texto acima, julgue os itens seguintes.
Para referir-se à possibilidade de a gramática normativa ser “caprichosa e contraproducente” (l.3), o autor do texto utiliza o recurso da analogia entre as regras gramaticais e as regras de direito e as de higiene, afirmando que essas regras não prescindem dos conhecimentos produzidos, respectivamente, nos estudos da linguística, da sociologia e da biologia.