Questão 567368

Língua Portuguesa · 2007

Questão

ID 567368

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Possibilidades de Paralelismo

Ano: 2007 Banca: FCC - Fundação Carlos Chagas Órgão: Câmara dos Deputados


Atenção: As questões de números 1 a 10 baseiam-se no texto a seguir.

Por “imaginário” entendemos um conjunto de

imagens visuais e verbais gerado por uma sociedade (ou

parcela desta) na sua relação consigo mesma, com outros

grupos humanos e com o universo em geral. Todo

5 imaginário é, portanto, coletivo, não podendo ser

confundido com imaginação, atividade psíquica individual.

Tampouco se pode reduzir o imaginário à somatória de

imaginações. Obviamente estas também se manifestam em

quadros históricos, pois, mesmo ao imaginar, cada

10 indivíduo não deixa de ser membro de uma sociedade e de

seus valores objetivos e subjetivos. Porém, por englobar o

denominador comum das imaginações, o imaginário as

supera, interfere nos mecanismos da realidade palpável

(política, econômica, social, cultural) que alimenta a própria

15 imaginação.

Mais precisamente, o imaginário faz a intermediação

entre a realidade psíquica profunda da sociedade (aquilo

que os historiadores às vezes chamam de mentalidade) e a

realidade material externa. Desta, o imaginário leva para a

20 primeira os elementos que na longa duração histórica

podem transformá-la; daquela, leva para a segunda as

formas possíveis de leitura da sociedade sobre ela mesma.

Neste trânsito circular, os instintos, os sentimentos, as

sensações, traduzidos culturalmente, adaptam-se à

25 realidade objetiva, e assim formulados são reprocessados

pela realidade psíquica. Resultante do entrecruzamento de

um ritmo histórico muito lento (mentalidade), com outro bem

mais ágil (cultura), o imaginário estabelece pontes entre

tempos diferentes. A modalidade do imaginário que foca

30 sua atenção em um passado indefinido para explicar o

presente é o que chamamos mito. Aquela que projeta no

futuro as experiências históricas do grupo – concretas e

idealizadas, passadas e presentes – é ideologia. A terceira

modalidade, que parte do presente na tentativa de

35 antecipar ou preparar um futuro, que é recuperação de um

passado idealizado, é utopia.

Naturalmente os limites entre essas formas de

imaginário são movediços. Tais formas jamais existiriam

historicamente em estado puro, e com freqüência cada uma

40 delas acaba por assumir as funções das outras. Diante

disso, muitas vezes é preferível utilizar a denominação

genérica – imaginário – às particulares (mito, ideologia,

utopia), que encobrem recortes conceituais problemáticos.

O importante é que toda sociedade é, ao mesmo tempo,

45 produtora e produto de seus imaginários. Logo, a

verdadeira história, aquela que considera o homem na sua

complexidade e totalidade, encontra-se na articulação entre

a realidade vivida externamente e a realidade vivida

oniricamente. (...)

(FRANCO JÚNIOR, Hilário. Cocanha. A história de um país imaginário. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 16-17).

Considerado o contexto, afirma-se corretamente que

Alternativas da questão 567368
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