Questão 559403

Psicologia · 2014

Questão

ID 559403

Disciplina: Psicologia

Assuntos: Estereótipos, Preconceito e Discriminação

Ano: 2014 Banca: Fundação CESGRANRIO Órgão: Banco do Brasil


Texto I

Serviço de negro

Um garoto negro termina um serviço que lhe

havia sido solicitado e, orgulhosamente, garante ter

feito “serviço de branco”. Várias moças respondem

a anúncio para secretária; algumas perguntam se

5 podem ser entrevistadas, “mesmo sendo negras”. Ser

negro ou mulato e caminhar pela cidade é considerado

“atitude suspeita” por muitos policiais. Como dizia

um conhecido — para meu horror e indiferença dos

demais participantes da conversa: “Não tenho nada

10 contra o negro ou nordestino, desde que saibam seu

lugar”. E esse lugar, claro, é uma posição subalterna

na sociedade.

Numa sociedade competitiva como a nossa, o ato

de etiquetar o outro como diferente e inferior tem por

15 função definir-nos, por comparação, como superiores.

Atribuir características negativas aos que nos cercam

significa ressaltar as nossas qualidades, reais ou

imaginárias. Quando passamos da ideia à ação, isto

é, quando não apenas dizemos que o outro é inferior,

20 mas agimos como se de fato ele o fosse, estamos

discriminando as pessoas e os grupos por conta de

uma característica que atribuímos a eles. [...]

Afirmações do tipo “os portugueses são burros”,

“os italianos são grossos”, “os árabes, desonestos”,

25 “os judeus, sovinas”, “os negros, inferiores”, “os

nordestinos, atrasados”, e assim por diante, têm a

função de contrapor o autor da afirmativa como a

negação, o oposto das características atribuídas

ao membro da minoria. Assim, o preconceituoso,

30 não sendo português, considera-se inteligente; não

sendo italiano, acredita-se fino; não sendo árabe,

julga-se honesto; não sendo judeu, se crê generoso.

É convicto de sua superioridade racial, por não ser

negro, e de sua superioridade cultural, por não ser

35 nordestino.

É importante notar que, a partir de uma

generalização, o preconceito enquadra toda uma

minoria. Assim, por exemplo, “todos” os negros

seriam inferiores [...]. A inferioridade passaria a ser

40 uma característica “racial” inerente a todos os negros.

[...] E o preconceito é tão forte que acaba assimilado

pela própria vítima. É o caso do garoto que garantiu

ter feito “serviço de branco”. Ou do imigrante que nega

sua origem. Ou, ainda, da mulher que reconhece sua

45 “inferioridade” [...]

Seria, pois, errado falar em minorias? Não,

uma vez que o conceito de minoria é ideológico,

socialmente elaborado e não aritmeticamente

constituído. Isto quer dizer que o negro de que se fala

50 não é o negro concreto, palpável, mas aquele que

está na cabeça do preconceituoso. E isto tem raízes

históricas profundas.

-

PINSKY, J. (Org.) 12 faces do preconceito. São Paulo: Contexto, 2000. p. 21-22.



De acordo com o ponto de vista do enunciador do Texto I, o preconceito sustenta-se, dentre outros aspectos, na(o)

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