Questão
ID 558924Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Citação
Ano: 2006 Banca: FCC - Fundação Carlos Chagas Órgão: Banco do Brasil
Atenção: As questões de números 1 a 8 referem-se ao texto abaixo.
“O folhetim é frutinha de nosso tempo”, disse Machado de Assis numa de suas deliciosas crônicas. E volta ao assunto na crônica seguinte.
“O folhetinista é originário da França [...] De lá espalhou-se pelo mundo, ou pelo menos por onde maiores proporções tomava o grande veículo do espírito moderno; falo do jornal.” E Machado tenta “definir a nova entidade literária”, procura esmiuçar a “organização do novo animal”. Mas dessa nova entidade só vai circunscrever a variedade que se aproxima do que hoje chamaríamos crônica. E como na verdade a palavra folhetim designa muitas coisas, e, efetivamente, nasceu na França, há que ir ver o que o termo recobre lá na matriz.
De início, ou seja, começos do século XIX, “le feuilleton” designa um lugar preciso do jornal: “o rez-de-chaussée” − rés-do-chão, rodapé −, geralmente o da primeira página. Tinha uma finalidade precisa: era um espaço vazio destinado ao entretenimento. E pode-se já antecipar, dizendo que tudo o que haverá de constituir a matéria e o modo da crônica à brasileira já é, desde a origem, a vocação primeira desse espaço geográfico do jornal, deliberadamente frívolo, oferecido como chamariz aos leitores afugentados pela modorra cinza a que obrigava a forte censura napoleônica. (“Se eu soltasse as rédeas da imprensa”, explicava Napoleão ao célebre Fouché, seu chefe de polícia, “não ficaria três meses no poder.”)
(MEYER, Marlyse, Folhetim: uma história. 2 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 57)
No fragmento acima,