Questão
ID 552705Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Artigo de Opinião
Ano: 2005 Banca: NCE - Núcleo de Computação Eletrônica UFRJ Órgão: Auditoria Geral do Estado do Mato Grosso
EDUCAÇÃO: O FUTURO ESTÁ EM NOSSAS MÃOS
José Henrique Vilhena – Folha de São Paulo
A posição do Brasil no que se refere ao acesso da juventude ao nível superior, comparada com a de diversos países (em especial na América Latina), é no mínimo lamentável. O número de matriculados corresponde a cerca de 13% da população entre 20 e 24 anos, muito inferior ao da Argentina (39%), Chile (37%), Bolívia (23%), França (50%), Espanha (46%) ou EUA (80%), país que caminha rapidamente para a universalização do ensino superior.
Temos hoje cerca de 2 milhões de alunos matriculados no ensino superior. Desses, 21% estão nas universidades públicas federais, 13% nas universidades estaduais, 6% nas universidades públicas municipais e 60% nas universidades privadas. É verdade que, ao contrário do que ocorre na grande maioria das instituições privadas, a pesquisa de alto nível está fortemente concentrada nas públicas, especialmente nas redes federal e estadual de São Paulo. Mas isso não pode justificar o pequeno número de alunos que elas são capazes de absorver. É fundamental e urgente desenvolver estratégias de aumento das matrículas, garantindo a qualidade do ensino e da pesquisa.
Todos sabemos que, nos últimos anos, o sistema de financiamento das universidades públicas tem atravessado uma sucessão de crises, embora a qualidade geral do ensino tenha melhorado. Mesmo em momentos de crise, quadros bem qualificados são capazes de melhorar seu desempenho (fato, aliás, mundialmente reconhecido).
Essa melhoria, porém, não é suficiente para equacionar os difíceis problemas da nossa sociedade – sobretudo os da juventude, que precisa de excelente formação para disputar postos de trabalho em condições vantajosas e garantir o crescimento econômico e sociocultural do país. Assim, nós, que temos pleno conhecimento da dramática situação de 87% da juventude brasileira, sem acesso aos benefícios da ciência, da tecnologia e da cultura, impedida de participar da construção e das decisões da sociedade, estamos obrigados a buscar soluções urgentes. Do contrário, que futuro se pode esperar para uma tal sociedade? Não podemos nos comportar como a elite brasileira do século 19, que, na forma de escravidão, embora sabedora de seus malefícios, convivia com ela de forma hipócrita e desleal para com o país e seu povo.[...]
Há uma série de pensamentos do texto construídos em forma de oposição; assinale aquele que NÃO está coerente com o que é expresso pelo autor: