Questão 533371

Língua Portuguesa · 2016

Questão

ID 533371

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Reportagem

Ano: 2016 Banca: Fundação CESGRANRIO Órgão: Agência Nacional do Petróleo


Texto II

Festival reúne caravelas em barcos

Dizem que o passado não volta, mas a cada

cinco anos boa parte da história marítima da Euro-

pa se reúne para navegar junto entre o Mar do Norte

e o canal de Amsterdã. Caravelas e barcos a vapor

5 do século passado se juntam a veleiros e lanchas

contemporâneas que vêm de vários países para um

dos maiores encontros náuticos gratuitos do mundo.

Durante o Amsterdam Sail, entre os dias 19 e 23 de

agosto, cerca de 600 embarcações celebram a arte

10 de deslizar sobre as águas.

Desde 1975 o grande encontro aquático junta

apaixonados pelo mar e curiosos às margens dos ca-

nais para ver barcos históricos e gente fazendo festa

ao longo de cinco dias – na última edição, o público

15 estimado foi de 1,7milhão de pessoas. Há aulas de

vela e de remo para adultos e crianças, além de atra-

ções musicais. [...]

Você pode até achar que é coisa de criança, mas

o jogo em que cada um leva o próprio balde e simula

20 as tarefas a bordo de um navio é instrutivo e divertido

para todas as idades.

MORTARA, F. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 4 ago. 2015,

Caderno D, p. 10. Adaptado.



Texto I

Banhos de mar

Meu pai acreditava que todos os anos se devia

fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão fe-

liz quanto naquelas temporadas de banhos em Olin-

da, Recife.

5 Meu pai também acreditava que o banho de mar

salutar era o tomado antes de o sol nascer. Como ex-

plicar o que eu sentia de presente prodigioso em sair

de casa de madrugada e pegar o bonde vazio que

nos levaria para Olinda ainda na escuridão?

10 De noite eu ia dormir, mas o coração se manti-

nha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu

acordava às quatro e pouco da madrugada e desper-

tava o resto da família. Nós nos vestíamos depressa

e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que

15 assim devia ser: em jejum.

Saímos para uma rua toda escura, recebendo

a brisa da pré-madrugada. E esperávamos o bonde.

Até que lá de longe ouvíamos o seu barulho se apro-

ximando. Eu me sentava bem na ponta do banco, e

20 minha felicidade começava. Atravessar a cidade es

cura me dava algo que jamais tive de novo. No bon

de mesmo o tempo começava a clarear, e uma luz

trêmula de sol escondido nos banhava e banhava o

mundo.

25 Eu olhava tudo: as poucas pessoas na rua, a

passagem pelo campo com os bichos-de-pé: “Olhe,

um porco de verdade!” gritei uma vez, e a frase de

deslumbramento ficou sendo uma das brincadeiras

da minha família, que de vez em quando me dizia

30 rindo: “Olhe, um porco de verdade.”

Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem

diária me tornava uma criança completa de alegria. E

me serviu como promessa de felicidade para o futu-

ro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me

35 agarrava, dentro de uma infância muito infeliz, a essa

ilha encantada que era a viagem diária.

LISPECTOR, C. A Descoberta do Mundo. São Paulo: Rocco, 1999, p. 175. Adaptado

Comparando-se o conteúdo e a tipologia do Texto I e do Texto II, tem-se que

Alternativas da questão 533371
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