Questão
ID 332102Disciplina: Língua Portuguesa
Assuntos: Sentido Conotativo, Figurado ou Metafórico, Sentido Denotativo, Próprio ou Literal, Sentidos do texto, Vícios de Linguagem
Ano: 2022 Banca: REDE SARAH - Sarah Associação das Pioneiras Sociais Órgão: Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação
Texto CG2A1-II
No Brasil oitocentista, a expressão “literatura” significava a soma dos saberes cultivados pelos então chamados “homens de letras”. Sinônimo de conhecimento e instrução, o termo “literatura” englobava a oratória política, a medicina, o direito, a filosofia, as letras, a ciência, a eloquência, a gramática, a história e as humanidades. Versados em literatura porque conhecedores de vários ramos do saber, os homens de ciência, jornalistas, artistas, médicos, advogados, historiadores e poetas eram chamados de “literatos”. Seus demais atributos e significados pares mais imediatos eram ainda “homens de espírito”, “eruditos”, “intelectuais”, “letrados”, “doutos”, “ilustrados”, “sábios” e “instruídos”. Nesse período, os letrados eram especialmente bem vistos por reterem na memória conhecimentos gerais bastante variados, línguas estrangeiras e máximas de autores da Antiguidade Clássica. Partidários de um Iluminismo tardio que lhes incutia acentuado entusiasmo pela ampla difusão do saber, reconheciam-se ainda como homens dotados de autoridade para fazer progredir toda a sociedade do então recém-implantado Estado brasileiro. A atividade intelectual era nada menos do que um sacerdócio ou apostolado, espécie de missão civilizatória.
No entanto, em fins do século XIX, a intelectualidade começou a se especializar. Nesse cenário, a vasta instrução perdeu grande parte do seu prestígio, adquirindo, no mesmo movimento, aparência de cultura enciclopédica “inútil”. A carreira nas letras esmerou-se na composição de obras de poesia e romances. Homens de ciência voltaram-se para a experimentação e observação da “realidade”. A “cultura geral” tornou-se uma frívola manifestação de pompa verbal, enciclopedismo, beletrismo, bacharelismo e vaidade intelectual. Fortaleceu-se a convicção de que o exercício de uma atividade profissional específica deveria ser a razão primordial da dedicação aos estudos.
Dominichi Miranda de Sá. A ciência como profissão: médicos, bacharéis e cientistas no Brasil (1895-1935). Rio de Janeiro, Fiocruz: 2006 (com adaptações).
A ideia sobre o beletrismo adotada a partir do final do século XIX e descrita no segundo parágrafo do texto CG2A1-II se aproxima do sentido do ditado