Questão
ID 3189502Disciplina: Enfermagem
Assunto: Cardiopatias
Ano: 2025 Banca: INSTITUTO UNIFIL Órgão: Prefeitura Municipal de Santa Mariana
As crianças com cardiopatia congênita frequentemente apresentam alterações na mecânica respiratória. O comprometimento da complacência pulmonar e da resistência das vias aéreas contribui para o aumento da frequência respiratória, do trabalho respiratório e do consumo de oxigênio. Esses fatores podem influenciar nos resultados de uma cirurgia cardiovascular e também gerar comorbidades respiratórias que terão impacto na qualidade de vida na infância e na fase adulta. Diante do exposto, analise as assertivas a respeito da fisioterapia respiratória em crianças com cardiopatia congênita e assinale a alternativa correta.
I. As alterações do sistema respiratório no neonato e na criança com cardiopatia congênita tornam a assistência fisioterápica primordial na prevenção e no tratamento das complicações respiratórias, seja no período pré-operatório, no pós-operatório ou mesmo durante o tratamento clínico. Assim sendo, o fisioterapeuta que integra a equipe multidisciplinar atua em estreita colaboração com médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos e outros especialistas para fornecer atendimento diferenciado e eficiente.
II. A atuação do fisioterapeuta deve ser baseada com foco na avaliação do paciente, na interpretação dos exames complementares, no conhecimento das medicações em uso e no quadro clínico. Dessa maneira, torna-se imprescindível que o profissional tenha conhecimento sobre a cardiopatia, a cirurgia a que o paciente foi submetido, os efeitos da ventilação mecânica na interação cardiopulmonar e as respostas da oxigenoterapia e de outros gases no sistema cardiovascular. A eleição de técnicas e recursos apropriados para o tratamento das condições pulmonares traz benefícios sem provocar efeitos adversos na oxigenação e no estado hemodinâmico. Há uma variedade de técnicas fisioterápicas que aumentam as possibilidades de alcance dos objetivos da terapia, desde que sejam realizadas de maneira individualizada e adaptadas para cada situação.
III. O manejo preventivo da dor no pós-operatório é sempre recomendável, principalmente em crianças que apresentam crise de hipertensão pulmonar e necessitam de atendimento fisioterápico, pois a dor pode levar à agitação e à queda importante da saturação de oxigênio, aumento da dispneia e descompensação do quadro hemodinâmico. Os benefícios promovidos pela fisioterapia respiratória incluem melhora da oxigenação, preservação de condições satisfatórias de ventilação pulmonar, garantia da permeabilidade das vias aéreas, otimização do volume corrente, da mecânica respiratória e recuperação das atividades funcionais o mais precocemente possível, com redução do tempo de internação hospitalar.
IV. A atuação do fisioterapeuta também envolve a instituição de ventilação não invasiva (VNI) como alternativa terapêutica em diversas situações, administração de misturas especiais de gases, como dióxido de carbono, misturas de gases hipóxicos e vasodilatadores desde que indicadas pelo médico. O fisioterapeuta também participa do gerenciamento dos parâmetros ventilatórios, do desmame da ventilação mecânica e da extubação. Os benefícios da intervenção fisioterápica se estendem por meio de adoção de posturas que favoreçam a mecânica ventilatória ou circulatória e pelas orientações aos pais e às crianças quanto às atividades a serem desenvolvidas nas diferentes circunstâncias. As atividades lúdicas e a criação de um ambiente tranquilo e confortável durante o atendimento são ferramentas facilitadoras da interação entre o fisioterapeuta e a criança.
V. O posicionamento e as mudanças posturais são realizados com o objetivo de melhorar a ventilação e a oxigenação, porém em algumas situações haverá restrição para a adoção de algumas posturas. A postura prona, apesar dos benefícios já reconhecidos sobre a oxigenação, geralmente é pouco utilizada e pode ser pouco tolerada por neonatos e lactentes com cardiopatias congênitas por diversos motivos, como: sintomas de insuficiência cardíaca congestiva (ICC), hipertensão pulmonar, incisão cirúrgica recente, presença de dreno mediatinal, por não fazer parte da rotina da criança e medo dos pais. Além disso, o fisioterapeuta deve estar atento às respostas fisiológicas do neonato e da criança, especialmente durante os procedimentos fisioterápicos e ao término, pois estas respostas podem indicar instabilidade hemodinâmica com necessidade de se modificar a abordagem para atender sem colocar a estabilidade clínica em risco. Dentre estas respostas destacam-se aumento da cianose ou da palidez, moteamento da pele, alterações da frequência cardíaca, queda da saturação de oxigênio, instabilidade da pressão arterial e expressões faciais de dor.