Questão 2956831

Biologia · 2025

Questão

ID 2956831

Disciplina: Biologia

Assunto: Seleção Natural

Ano: 2025 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Prefeitura Municipal de Montenegro


A genética está na raiz do amor

Por Maurício Horta

  1. Para entender o amor, temos de compreender o altruísmo - nada mais altruísta, afinal,
  2. do que amar alguém. E para entender o altruísmo temos de olhar para os campeões mundiais
  3. nessa categoria. Monges budistas? Não: insetos. Mais especificamente insetos sociais, os
  4. maiores exemplos de dedicação à coletividade em detrimento do interesse individual.
  5. O caso mais extremo é o da abelha operária. Ela não apenas passa a vida produzindo mel
  6. e cera, construindo favos e coletando néctar, pólen e água para alimentar a rainha e suas larvas;
  7. para defender a colmeia de predadores, ela também se suicida. Esse caso de aparente altruísmo
  8. suicida parece contrariar a Teoria da Evolução. Afinal, a seleção natural não é uma escolha de
  9. características que beneficiem a coletividade nem o indivíduo. Ela nada mais é que o sucesso de
  10. certos genes em se replicar num determinado ambiente. Seguem adiante não necessariamente
  11. aqueles que expressam um comportamento que faz o indivíduo viver melhor, mas que o deixa
  12. mais apto a passar seus genes para a frente. Nesse ponto não há moral nem empatia. Para os
  13. genes, segundo Richard Dawkins, autor de “O Gene Egoista”, os seres vivos nada mais são do
  14. que máquinas de sobrevivência do DNA.
  15. Não importa o bem-estar dessa máquina - caso contrário, não envelheceríiamos, não
  16. teríamos doenças nem morreríamos. O que importa é que ela consiga se reproduzir em mais
  17. máquinas que carreguem seus genes. Então, o comportamento suicida das abelhas operárias
  18. parece ir contra a lógica dos genes egoístas. Afinal, a morte de sua máquina de sobrevivência
  19. significa menos chances de que eles sejam passados adiante. Mas, há um detalhe que muda
  20. tudo isso. A reprodução de animais sociais como formigas, abelhas e vespas: enquanto a imensa
  21. maioria das espécies de reprodução sexuada compartilha metade dos genes maternos e metade
  22. dos paternos, estes compartilham metade dos genes da mãe e todos os genes do pai.
  23. Aí é só fazer a conta: irmãs dessas espécies compartilham entre si 75% dos genes,
  24. enquanto, se tivessem filhos, estes teriam apenas 50% dos seus genes. Ou seja, é mais
  25. interessante para as abelhas fêmeas transformar sua mãe numa máquina de produzir irmãs (ou,
  26. posto de forma mais elegante, numa rainha) do que ter filhos próprios. O que parece ser o mais
  27. altruísta dos comportamentos — literalmente abrir mão de sua vida para o benefício da colmeia
  28. - é, na verdade, a expressão máxima do egoísmo dos genes.
  29. É o que acontece com as relações familiares. Para o gene egoísta, tanto faz se sua cópia
  30. estiver numa máquina de sobrevivência ou em outra. O que interessa é que ele se replique o
  31. máximo de vezes possível. Como indivíduos aparentados compartilham cópias dos mesmos
  32. genes, o cuidado mútuo de parentes para assegurar sua sobrevivência e sua reprodução é uma
  33. estratégia altruísta muito eficiente. E aí chegamos a uma das grandes questões da humanidade:
  34. por que o amor existe se o sexo já basta para a nossa reprodução?
  35. A resposta pode estar na replicação dos genes. Homens não podem ter filhos sozinhos, e
  36. tampouco as mulheres. Um precisa do DNA do outro. Esse problema se resolveria com o sexo
  37. casual à moda dos cachorros de rua. Mas, em “O Banquete”, de Platão, o poeta Aristófanes
  38. definiu a natureza dos humanos diferente — seriam unidades completas, “de forma esférica, com
  39. costas e flancos arredondados, com quatro mãos, o mesmo número de pernas, dois rostos
  40. totalmente idênticos, mas uma cabeça única para o conjunto desses dois rostos opostos um ao
  41. outro”. Uns, descendentes do Sol, tinham duas partes masculinas; outros, descendentes da
  42. Terra, tinham duas partes femininas. Isso lhes dava uma força tamanha que os fez escalar o céu
  43. para combater os deuses.
  44. Zeus, em punição, cortou-os em dois, nascendo a divisão entre homem e mulher. Acabou-
  45. se então a unidade e a felicidade humana, e cada metade passou a procurar seu correspondente
  46. para recuperar a completude. Claro, isso é mitologia. Não tem validade científica. Mas, como
  47. metáfora, explica a busca obsessiva pela cara-metade, que é a essência do amor romântico.

(Disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/a-genetica-do-amor/- texto adaptado especialmente para esta prova).



Sobre alguns termos e passagens retirados do texto, analise as assertivas a seguir:

I. O termo “egoísta”, no contexto da biologia evolutiva apresentada, está relacionado ao sucesso da replicação do DNA.

II. Na frase “o deixa mais apto a passar seus genes para a frente”, a palavra destacada poderia ser substituída por “inclinado” sem alterações significativas de sentido no trecho.

III. A expressão “em detrimento do interesse individual” significa que o interesse da coletividade está acima dos interesses do indivíduo.

Quais estão corretas?

Alternativas da questão 2956831
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