Questão
ID 2956831Disciplina: Biologia
Assunto: Seleção Natural
Ano: 2025 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Prefeitura Municipal de Montenegro
A genética está na raiz do amor
Por Maurício Horta
- Para entender o amor, temos de compreender o altruísmo - nada mais altruísta, afinal,
- do que amar alguém. E para entender o altruísmo temos de olhar para os campeões mundiais
- nessa categoria. Monges budistas? Não: insetos. Mais especificamente insetos sociais, os
- maiores exemplos de dedicação à coletividade em detrimento do interesse individual.
- O caso mais extremo é o da abelha operária. Ela não apenas passa a vida produzindo mel
- e cera, construindo favos e coletando néctar, pólen e água para alimentar a rainha e suas larvas;
- para defender a colmeia de predadores, ela também se suicida. Esse caso de aparente altruísmo
- suicida parece contrariar a Teoria da Evolução. Afinal, a seleção natural não é uma escolha de
- características que beneficiem a coletividade nem o indivíduo. Ela nada mais é que o sucesso de
- certos genes em se replicar num determinado ambiente. Seguem adiante não necessariamente
- aqueles que expressam um comportamento que faz o indivíduo viver melhor, mas que o deixa
- mais apto a passar seus genes para a frente. Nesse ponto não há moral nem empatia. Para os
- genes, segundo Richard Dawkins, autor de “O Gene Egoista”, os seres vivos nada mais são do
- que máquinas de sobrevivência do DNA.
- Não importa o bem-estar dessa máquina - caso contrário, não envelheceríiamos, não
- teríamos doenças nem morreríamos. O que importa é que ela consiga se reproduzir em mais
- máquinas que carreguem seus genes. Então, o comportamento suicida das abelhas operárias
- parece ir contra a lógica dos genes egoístas. Afinal, a morte de sua máquina de sobrevivência
- significa menos chances de que eles sejam passados adiante. Mas, há um detalhe que muda
- tudo isso. A reprodução de animais sociais como formigas, abelhas e vespas: enquanto a imensa
- maioria das espécies de reprodução sexuada compartilha metade dos genes maternos e metade
- dos paternos, estes compartilham metade dos genes da mãe e todos os genes do pai.
- Aí é só fazer a conta: irmãs dessas espécies compartilham entre si 75% dos genes,
- enquanto, se tivessem filhos, estes teriam apenas 50% dos seus genes. Ou seja, é mais
- interessante para as abelhas fêmeas transformar sua mãe numa máquina de produzir irmãs (ou,
- posto de forma mais elegante, numa rainha) do que ter filhos próprios. O que parece ser o mais
- altruísta dos comportamentos — literalmente abrir mão de sua vida para o benefício da colmeia
- - é, na verdade, a expressão máxima do egoísmo dos genes.
- É o que acontece com as relações familiares. Para o gene egoísta, tanto faz se sua cópia
- estiver numa máquina de sobrevivência ou em outra. O que interessa é que ele se replique o
- máximo de vezes possível. Como indivíduos aparentados compartilham cópias dos mesmos
- genes, o cuidado mútuo de parentes para assegurar sua sobrevivência e sua reprodução é uma
- estratégia altruísta muito eficiente. E aí chegamos a uma das grandes questões da humanidade:
- por que o amor existe se o sexo já basta para a nossa reprodução?
- A resposta pode estar na replicação dos genes. Homens não podem ter filhos sozinhos, e
- tampouco as mulheres. Um precisa do DNA do outro. Esse problema se resolveria com o sexo
- casual à moda dos cachorros de rua. Mas, em “O Banquete”, de Platão, o poeta Aristófanes
- definiu a natureza dos humanos diferente — seriam unidades completas, “de forma esférica, com
- costas e flancos arredondados, com quatro mãos, o mesmo número de pernas, dois rostos
- totalmente idênticos, mas uma cabeça única para o conjunto desses dois rostos opostos um ao
- outro”. Uns, descendentes do Sol, tinham duas partes masculinas; outros, descendentes da
- Terra, tinham duas partes femininas. Isso lhes dava uma força tamanha que os fez escalar o céu
- para combater os deuses.
- Zeus, em punição, cortou-os em dois, nascendo a divisão entre homem e mulher. Acabou-
- se então a unidade e a felicidade humana, e cada metade passou a procurar seu correspondente
- para recuperar a completude. Claro, isso é mitologia. Não tem validade científica. Mas, como
- metáfora, explica a busca obsessiva pela cara-metade, que é a essência do amor romântico.
(Disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/a-genetica-do-amor/- texto adaptado especialmente para esta prova).
Sobre alguns termos e passagens retirados do texto, analise as assertivas a seguir:
I. O termo “egoísta”, no contexto da biologia evolutiva apresentada, está relacionado ao sucesso da replicação do DNA.
II. Na frase “o deixa mais apto a passar seus genes para a frente”, a palavra destacada poderia ser substituída por “inclinado” sem alterações significativas de sentido no trecho.
III. A expressão “em detrimento do interesse individual” significa que o interesse da coletividade está acima dos interesses do indivíduo.
Quais estão corretas?