Questão 2956249

Língua Portuguesa · 2026

Questão

ID 2956249

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Pressupostos e Subentendidos

Ano: 2026 Banca: URCA - Universidade Regional do Cariri Órgão: Prefeitura Municipal de Assaré


TEXTO I

Quando a foice da morte colhe a vida/ é que a gente percebe não ser nada

No silêncio do passo traiçoeiro

ela arranca de vez o coração

leva a alma deixando a solidão

não importa se é pobre ou tem dinheiro

é de todos caminhão derradeiro

qualquer rota recai sobre essa estrada

deixa toda alegria cancelada

e no peito uma dor sem ter medida

quando a foice da morte colhe a vida

é que a gente percebe não ser nada.

Não informa o momento da partida

desse trem da desgraça que aparece

de repente ele surge, o ser padece

sem nem mesmo acenar na despedida

quanto mais a dor vem, mais é doída

não tem corpo e parece tão pesada

cada lágrima vertida uma pancada

não tem volta, o caminho é só de ida

quando a foice da morte colhe a vida

é que a gente percebe não ser nada.

Não se atenta pra ritos de passagem

onde passa seu rastro é de caixão

não permite um adeus nem oração

dos infernos carregam uma mensagem

estendendo ataúdes na viagem

ao fechar os esquifes da morada

a saudade ainda fica apertada

quem morreu transferiu a dor sofrida

quando a foice da morte colhe a vida

é que a gente percebe não ser nada.

(Tiago Nascimento Silva. Conta, cordão e medalha. Quando a foice da morte corre a vida / é que a gente percebe não ser nada, p. 106. São Carlos: Pedro & João Editores, 2023)



Sobre o sentido do texto, pode-se dizer:

I. A morte é o “caminhão derradeiro” onde todos, inevitavelmente, terão que embarcar, sua “estrada”é o destino final de qualquer rota que se escolha em vida. É, portanto, uma grande niveladora social.

Il. A metáfora do “trem da desgraça” que não avisa o horário da partida reforça a ideia de que o ser humano não tem controle sobre o fim. A ausência de uma despedida formal (o “nem mesmo acenar”) torna a dor “pesada” para quem fica, o consolo vem da certeza de que ninguém é poupado.

III. O refrão — “é que a gente percebe não ser nada” — é o coração filosófico do texto. Ele sugere que todo o ego, as posses e a alegria humana são ilusórios ou efêmeros.

IV. O texto traz uma visão profunda sobre o luto: “quem morreu transferiu a dor sofrida”. Isso indica que, ao morrer, o sofrimento físico ou existencial do falecido cessa, mas ele não desaparece; ele é “entregue” aos que ficam sob a forma de saudade apertada e lágrimas.

Alternativas da questão 2956249
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