Questão 2953707

Língua Portuguesa · 2026

Questão

ID 2953707

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Contraposição

Ano: 2026 Banca: IFSP - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo


Leia o texto a seguir para responder à questão.

Nem impostoras, nem rainhas solitárias

Mulheres negras que chegam ao cargos de liderança não são impostoras. Temos bagagem, entrega, preparo e, principalmente, as competências que o mundo do trabalho mais valoriza

A mulher negra que chega à liderança carrega mais do que seu crachá. Ela traz consigo a força de uma ancestralidade que resistiu ao peso de uma estrutura que insiste em negá-la e, muitas vezes, uma dúvida que sussurra: “Será que eu mereço estar aqui?” Esse sussurro tem nome: síndrome da impostora. E, embora a psicologia a descreva como um sentimento de inadequação, entre nós, mulheres negras, ela ganha contornos ainda mais profundos porque a sociedade, de forma direta, individualizada, recorrente e sistêmica, vive a proclamar que não somos nem fazemos o suficiente.

Essa sensação de desencaixe tem um outro lado, quase que um lado oposto, no qual a mulher negra que “chegou lá” não se questiona, mas também não se incomoda de ser a única. Aparece, então, a síndrome da abelha rainha — aquela que chegou lá, senta sozinha no trono e, muitas vezes, reproduz a lógica excludente para manter sua posição. O isolamento no topo não é só emocional, é estrutural, e traz consequências. Quando a mulher Paulonegra que ascende não olha para o lado, não cria pontes nem redes, ela perde a chance de fazer o que nossas “mais velhas” sempre fizeram: cuidar, dividir e multiplicar. E é justamente por isso que estamos aqui.

Esses fenômenos não nascem do nada. São efeitos de vieses inconscientes, presentes nos processos seletivos, nas promoções concorridas, nas reuniões em que falamos e não somos ouvidas. Estudos mostraram que, mesmo quando mulheres negras possuem as competências exigidas, elas são vistas como “potenciais em desenvolvimento”, enquanto colegas brancos são tratados como “talentos promissores”. A régua nunca é a mesma.

Mas aqui vai um lembrete importante: nós não somos impostoras. Temos bagagem, entrega, preparo e, principalmente, as competências que o mundo do trabalho mais valoriza hoje: empatia, escuta ativa, colaboração, resiliência. Muitas de nós aprendemos isso fora das salas de MBA, no chão de fábrica da vida, na gestão de famílias, de comunidades, de nós mesmas. Somos líderes porque desenvolvemos essas habilidades na prática, nos diversos processos sociais de que participamos — sem crachá, mas com muita potência.

(...)

Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2025/11/7287978-nem-impostoras-nem-rainhas-solitarias.html. Acesso em: 08 nov. 2025. (FRAGMENTO)

Ao apresentar as expressões “síndrome da impostora” e “síndrome da abelha rainha”, a autora constrói uma progressão argumentativa que culmina na afirmação “nós não somos impostoras”. Essa relação entre as partes do texto contribui, principalmente, para

Alternativas da questão 2953707
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