Questão 2953468

Língua Portuguesa · 2026

Questão

ID 2953468

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Inferência Textual

Ano: 2026 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto de Campos Novos


As mentiras mais comuns nos currículos – e como elas são descobertas por recrutadores

Por Rafaela Zem

01 “Inglês avançado” que trava na entrevista. Conhecimento técnico que desaparece diante

02 de uma pergunta simples. Cargos que parecem maiores no papel do que foram na prática. Essas

03 são algumas das mentirinhas clássicas que ainda aparecem em currículos — e que recrutadores

04 identificam com rapidez. Um levantamento da Robert Half, empresa global de recrutamento e

05 consultoria em talentos humanos, feito com 774 profissionais no Brasil, mostra a dimensão do

06 problema. Para 58% dos recrutadores, inconsistências no currículo já foram motivo para eliminar

07 candidatos ainda no início do processo.

08 O estudo também revela quais são as distorções mais comuns e por que elas são tão fáceis

09 de identificar. Algumas delas são, por exemplo, habilidades técnicas exageradas. O candidato

10 declara domínio de ferramentas ou conhecimentos que não consegue comprovar na prática. Há,

11 ainda, cargos e projetos apresentados de forma ampliada. A proficiência em idiomas acima do

12 nível real é um clássico; o nível informado não se confirma em uma conversa simples. A lógica

13 por trás dessas práticas é clara: aumentar as chances de passar pelo filtro inicial. Na prática,

14 porém, o efeito costuma ser o contrário. As diferenças entre discurso e experiência aparecem ao

15 longo da seleção e influenciam a decisão final.

16 Apesar disso, a maior parte dos profissionais afirma agir com transparência. Para 74%,

17 nunca houve omissão ou distorção de informações. Ainda assim, 15% admitem já ter feito

18 ajustes no currículo, enquanto 10% chegaram a considerar essa possibilidade. A pesquisa indica

19 que esse comportamento está mais ligado à pressão do que à intenção de enganar. Entre os

20 principais motivos estão o receio de perder espaço em um mercado competitivo, a tentativa de

21 se alinhar ao perfil buscado pelas empresas e o medo de que lacunas na carreira prejudiquem a

22 avaliação. Também pesam fatores como pressão financeira, urgência por recolocação e

23 insegurança sobre a própria trajetória. Esse conjunto de elementos leva alguns profissionais a

24 “embelezar” a forma como apresentam suas experiências.

25 Outro ponto que ganhou força recente é o uso de Inteligência Artificial (IA) na preparação

26 de currículos e entrevistas. A tecnologia pode ajudar na organização e na clareza das

27 informações. Mas, quando usada em excesso, deixa sinais claros – e os recrutadores já sabem

28 identificá-los, como respostas mecânicas padronizadas, falta de profundidade ao detalhar

29 experiências, uso de linguagem excessivamente formal, entre outros aspectos.

30 Para Marcela Esteves, diretora da Robert Half, o ponto central é o equilíbrio: “Há diversos

31 recursos para ajudar na organização de ideias e na estrutura do currículo, mas nenhum deles

32 substitui a experiência real do profissional. Como costumamos reforçar, a IA deve ser parceira,

33 não substituta. Quando o documento se distancia demais da trajetória do candidato, isso tende

34 a aparecer rapidamente durante as entrevistas e, sem dúvida, pode prejudicar sua reputação”,

35 conclui.

(Disponível em: g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/03/25/as-5-mentiras-mais-comuns-nos

curriculos-e-como-elas-sao-descobertas-por-recrutadores.ghtml –

texto adaptado especialmente para esta prova).



No texto, a análise sobre o “embelezamento” das experiências profissionais nos currículos permite inferir que essa prática:

Alternativas da questão 2953468
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