Questão
ID 2927736Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Objeto Direto Preposicionado
Ano: 2024 Banca: Consórcio de Municípios do Agreste e Mata Sul do Estado de Pernambuco Órgão: Prefeitura Municipal de Panelas
NUNCA É TARDE PARA AMAR
Frei Betto
1. Faz tempo. Trinta e seis anos. Eu morava em Vitória. Havia ali uma comunidade monástica
ecumênica, sucursal do Mosteiro de Taizé, na França, que congrega protestantes e católicos.
3. O mais jovem, Henri, tinha 24 anos. Como quase todo europeu que pisa pela primeira vez em nosso
país, estava fascinado com o Brasil: o calor, a luminosidade, as frutas, a religiosidade do povo e,
sobretudo, o acolhimento, este dom que a nossa gente tem de ficar amiga de infância cinco minutos
depois de conhecer uma pessoa.
7. Trouxe-o a Minas. Queria que Henri visitasse Belo Horizonte, Ouro Preto, Congonhas do Campo. Já
outros europeus que eu convidara às Alterosas haviam se maravilhado com a harmonia barroca da
antiga Vila Rica. E mais ainda ao saber que aquelas ladeiras guardam histórias libertárias, enquanto
suas igrejas, cujas torres agulham o céu plúmbeo, exibem a arte incomparável de Aleijadinho. Não fosse
o Brasil um país periférico, Antônio Francisco Lisboa seria mundialmente tão venerado quanto
Michelangelo.
13. Em Belo Horizonte, apresentei Henri a meus amigos, entre os quais Cláudia, 34 anos, recém-
divorciada após oito anos de casamento, mãe de um menino. Cláudia havia morado uns tempos em
Paris e, portanto, dominava a língua francesa, o que facilitou a comunicação entre os dois.
17. Henri ficou tocado por ela. Chegou mesmo a se declarar a ela. A sedução, entretanto, não foi
recíproca. Cláudia considerou-o um homem inteligente, bonito, e a diferença de idade pesou menos que
o escrúpulo de não querer ver o jovem monge largar o hábito para iniciar um relacionamento após um
encontro fortuito.
21. Meses depois, Henri retornou à Taizé. Durante certo período, sublimou sua repentina paixão na
amizade alimentada por cartas frequentes entre ele e Cláudia. Depois, a correspondência esmoreceu,
Henri abandonou a vida monástica e dele Cláudia não teve mais notícias. Graças ao domínio do idioma
francês, ela se empregou numa grande empreiteira brasileira com obras na África e morou no Senegal,
na Mauritânia e na Argélia.
26. Ano passado – 36 anos depois – Cláudia, agora com 68 anos e um neto, navegava no Facebook
quando seu nome foi identificado por outro internauta. “Você é você mesma?”, indagou Henri do outro
lado do mundo. Era. O contato entre os dois foi reatado e, súbito, explodiu uma paixão recíproca.
30. Henri, hoje com 60 anos, é economista bem-sucedido em Londres. Após largar o mosteiro, casou
com uma asiática que já tinha três filhos e, com ele, ela teve mais dois. A relação durou 16 anos. Há 11
Henri se separou da mãe de seu casal de filhos.
Desde outubro passado, Henri já veio duas vezes ao Brasil reencontrar Cláudia. Agora pretende se
aposentar e levá-la para uma viagem turística pelo Reino Unido: Escócia, Gales etc.
Perguntei à Cláudia se está apaixonada. Deu um largo sorriso de moça feliz e respondeu:
“Estou amando o amor”. [...]
A vida ensina: o coração não tem idade.
(Disponível em: https://www.correiocidadania.com.br/colunistas/frei-betto/5573-05-03-2011-nunca-e-tarde-para-amar. Acesso em 10/12/2024 - Adaptado)
Entre as palavras e expressões a seguir, há uma, cuja classificação sintática está INCORRETA. Assinale-a: