Questão
ID 2892339Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Sujeito Simples
Ano: 2024 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Prefeitura Municipal de Barra do Guarita
O amor é uma elegância em nossas vidas
Por Martha Medeiros
- “Mas o que eu vou fazer se ficar sozinha?” me perguntou ela, enfurnada num casamento
- que já tinha virado outra coisa, coisa nenhuma, um esconderijo.
- Comecei dando sugestões práticas: criar várias playlists no celular, mergulhar nos livros
- e viver todas as vidas que de outra forma ela não viverá, viajar para algum lugar que ela sempre
- quis conhecer, chamar cada uma das amigas para uma conversa íntima sem hora para acabar,
- fazer uma oficina de literatura e transformar em prosa a sua história, visitar as exposições que
- a cidade inteira comenta, começar a se exercitar a sério. Mas será que esta lista prosaica, nada
- original, seria suficiente para ela entender que a solidão pode ser repleta de acontecimentos?
- Acrescentei, claro, que nada impedia que ela iniciasse uma nova relação, menos algemada
- a contas conjuntas, rotinas familiares e planos a longo prazo, um engate sem tornozeleira
- eletrônica, um namorado para as próximas 24 horas, com renovação automática a cada manhã,
- se fosse bom para os dois. Mas confiança não era o forte dela. Não acreditava quando eu dizia
- que pessoas maduras têm tanta ou mais facilidade para namorar do que os jovens. A neura dela
- era ficar solteira em uma sociedade machista, em que os pares ainda valem mais do que os
- ímpares.
- É uma cilada acreditar nisso. Porque a mulher vai se acomodando e perdendo
- oportunidades de renascer a cada novo desejo, que não precisa ser o desejo por outra pessoa,
- mas o desejo de ser mais livre, mais ela mesma. Até os índices de feminicídio poderiam cair se
- a gente entendesse que não é obrigatório formar um casal. Ninguém é sozinho, há um povaréu
- dentro de cada um. Que se pense bem antes de render-se ao casamento apenas por uma
- exigência social que interessa ao status quo (casados são ordeiros, formam família, consomem
- por quatro).
- O amor é uma elegância em nossas vidas, não pode virar um sacrifício sustentado por
- filmes e livros que contam histórias românticas tendenciosas. Até a bossa nova nos deu um hino
- que mais parece uma sina: “é impossível ser feliz sozinho”. O marketing pró-acasalamento é
- milionário, glamouroso e distribui prêmios. Porém, a agenda da solidão não traz páginas vazias.
- Há também jantares, shows, viagens, cursos, beijos, trabalho – e descanso, dorme-se melhor.
- Mais que isso, há tempo para o silêncio, para a paz das leituras demoradas, para a música que
- toca noite adentro, para o convívio com nossa alma em estado puro.
- Eu consegui um feito: levei minha solidão para dentro do meu namoro e ela foi recebida
- de braços abertos. Mas não é assim que funciona com a maioria dos casais, onde a solidão de
- um extermina a solidão do outro. Depois se perguntam como é que pôde ter dado errado.
(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2024/04/o-amor-e-uma-elegancia-em-nossas-vidas-clvfp57as0150013v3se4johv.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o fragmento adaptado “O marketing pró-acasalamento é milionário”, assinale a alternativa que classifica corretamente o sujeito.